Mandelson pede que China remova barreiras no comércio

O comissário de Comércio europeu, Peter Mandelson, pediu nesta sexta-feira às autoridades chinesas que removam a "muralha" que as empresas estrangeiras enfrentam ao tentar investir ou vender seus produtos no país. Em uma conferência sobre as relações econômicas e comerciais entre a União Européia (UE) e a China, Mandelson criticou as barreiras encontradas pelos empresários europeus que pretendem fazer negócios na China, desde a inadequada proteção da propriedade intelectual às restrições para o investimento e o comércio. Mandelson lamentou que os padrões de segurança e o regulamento sobre acesso aos mercados na China sejam aplicados de maneira desproporcional, inconsistente ou sequer sejam seguidos, como no caso dos direitos de propriedade intelectual. O comissário reiterou que a China tem que se esforçar para cumprir suas obrigações como membro da Organização Mundial do Comércio (OMC) e começar a jogar com as regras comuns a todos os jogadores."A China continua se comportando como se estivesse à margem da OMC, apesar de já fazer parte do sistema", declarou.Ele destacou também os benefícios que o país asiático obterá com sua completa integração ao comércio global. No entanto, a Europa deve aceitar o desafio representado pela expansão da economia chinesa e tentar se adaptar a ela, pois isso também oferece várias oportunidades. O representante europeu reconheceu que o crescimento da China acelerará um "doloroso processo de ajuste" da economia da região, mas afirmou que aqueles que reivindicam mais protecionismo acabarão convencidos das vantagens que envolvem esse processo.Valor agregadoDe acordo com Mandelson, a aposta inicial da China para sua entrada no mercado europeu foram os produtos baratos, cuja produção depende intensamente de mão-de-obra (têxteis e calçado). Porém advertiu que o próximo passo será em direção a uma produção com maior valor agregado (automóveis e outros produtos com mais componentes tecnológicos). Em seguida, o foco será a indústriaaeronáutica e a engenharia naval.O efeito dessa mudança na economia da UE dependerá da capacidade da indústria européia de manter a competitividade nos setores de alta tecnologia e design, ramo onde é líder atualmente. O comissário se mostrou favorável a impulsionar o diálogo com a China, não só na área comercial, mas em um contexto mais amplo, como assuntos ambientais, política energética e direitos políticos.

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