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Mangabeira propõe desoneração 'radical' da folha

A Secretaria de Assuntos Estratégicosda Presidência discute com trabalhadores e empresários projetode revisão da legislação trabalhista brasileira que inclui umadesoneração "radical" da folha salarial. A idéia, segundo o ministro Roberto Mangabeira Unger, éintroduzir, em troca da redução dos custos trabalhistas,obrigação de as empresas se comprometerem com uma maiorproteção aos trabalhadores temporários e terceirizados. "O governo não deve oferecer de mão beijada a desoneraçãoda folha", afirmou o ministro em entrevista à Reuters. Ele defendeu a criação de um estatuto para essas classes detrabalhadores e também a construção de uma forma deorganizá-las e representá-las. A iniciativa, segundo ele, seria uma forma de enfrentar oproblema da informalidade, que afeta cerca de 50 por cento daforça de trabalho do país. Para os trabalhadores já formalizados, Mangabeira defendeua generalização do princípio da participação no lucro dasempresas e destacou que isso deve ser acompanhado pelo acessodos sindicatos à contabilidade das empresas. As mudanças, segundo o ministro, foram discutidasrecentemente em reunião de ministros da área e representantesdos sindicatos com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Felizmente, no governo Lula o meu maior aliado é opresidente Lula", brincou o ministro. Ele reconheceu, contudo, que o desafio de avançar commudanças na relação trabalho e capital é grande e afirmou que amaioria das propostas já em discussão com trabalhadores eempregadores está "além do horizonte imediato". OPPORTUNITY Mangabeira afirmou se arrepender de ter trabalhado para ogrupo Opportunity, ligado a Daniel Dantas. "A resposta é sim, eu me arrependo", afirmou à Reuters,quando questionado sobre como se sentia em relação ao seuenvolvimento com o Opportunity, com quem manteve relaçõesprofissionais antes de se tornar ministro. "Eu deveria ter seguido o conselho dos meus colegas deseparar. Eu tive atividades profissionais no Brasil porquequeria ter engajamentos no Brasil. Deveria ter separado, comotodo mundo me aconselhou a fazer: ter atividades profissionaisfora ganhando muito mais e reservar o Brasil para as minhasgrandes iniciativas cívicas." Mangabeira representou a Brasil Telecom nos Estados Unidosantes de se tornar ministro em 2007. Na época, a companhiatelefônica era controlada pelo Opportunity. Dantas foi um dos alvos da Operação Satiagraha, realizadapela Polícia Federal (PF) no mês passado. Segundo a PF, ele ésuspeito de ter cometido evasão de divisas e tráfico deinfluência, entre outros crimes. Para o ministro, não restam dúvidas de que suas relaçõesprofissionais com Dantas não existem mais. "As minhasatividades profissionais privadas já esclareci todas. Quandotomei posse, vieram com questionamentos. Agora, repetiram tudoque tinham questionado. Está 200 por cento esclarecido." Na semana que vem, a Comissão de Ética Pública do Executivodeve analisar informações sobre o suposto envolvimento deautoridades do governo com o esquema liderado por Dantas. Alémdo ministro, foi citado pela Polícia Federal o chefe degabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, GilbertoCarvalho. A CPI da Câmara sobre Escutas Telefônicas também tratará doassunto. Na semana que vem, ouvirá o delegado ProtógenesQueiroz, que deixou a direção das investigações da OperaçãoSatiagraha. O depoimento de Daniel Dantas está marcado para asemana seguinte. Mangabeira disse que o retorno do caso à pauta não opreocupa. "Não há no governo brasileiro ou fora do governo brasileironinguém mais radical do que eu em afirmar a importância de umamuralha intransponível entre o privado e o público. Nesse maisde um ano de atividade pública, ninguém me abordou com assuntoprivado. Nunca ninguém sequer tentou, porque já sabempreventivamente que comigo não", concluiu. (Reportagem adicional de Raymond Colitt e Ana Nicolaci daCosta)

FERNANDO EXMAN E ISABEL VERSIANI, REUTERS

01 de agosto de 2008 | 20h12

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