Mangels vai fechar fábrica no ABC

Metalúrgica decide transferir parte das atividades para Minas Gerais; os 380 funcionários da unidade serão demitidos até o fim de janeiro

MARCELO REHDER, O Estado de S.Paulo

13 de dezembro de 2012 | 02h05

A Mangels, líder de vendas nos segmentos de rodas de liga leve de alumínio para montadoras e cilindros para gases de baixa pressão no Brasil, decidiu fechar a fábrica de São Bernardo do Campo, no ABC Paulista. A empresa vai transferir as atividades de estamparia para a fábrica de Três Corações, em Minas Gerais, e descontinuar as atividades de têmpera, relaminação e centro de serviços de aços. Todos os 380 funcionários da unidade serão demitidos até o fim do mês que vem.

Em comunicado, o presidente da companhia, Robert Max Mangels, disse que a medida permitirá a venda dos ativos de São Bernardo e também a redução de custos, que deverão ter impacto positivo no desempenho da Mangels. "Estas medidas contribuirão para melhoria da rentabilidade no médio prazo e vão garantir foco em negócios que consideramos estratégicos ou nos quais somos líderes", disse o empresário.

A decisão surpreendeu os trabalhadores. O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Rafael Marques, criticou a maneira como a empresa fez o anúncio. "É uma indecência e uma falta de responsabilidade uma empresa desse porte fazer um anúncio desse tipo, que envolve a vida de 400 trabalhadores e indiretamente de outras milhares de pessoas, sem falar antes com o sindicato, com a prefeitura, sem buscar saídas nem apontar alternativas", afirmou o sindicalista. "Para piorar, a Mangels fez isso com os trabalhadores às vésperas do Natal."

Greve. A direção do sindicato encaminhou ontem aviso de greve à fábrica. "Faremos toda a luta que for necessária para evitar o fechamento da planta e a demissão dos trabalhadores", disse Marques. Hoje, está prevista uma reunião com os responsáveis pelo RH da empresa. Mas o presidente do sindicato quer uma reunião com o presidente da empresa, "Para encontrar saídas é preciso conversar e negociar", argumenta o sindicalista.

A empresa vem enfrentado dificuldades desde a crise internacional de 2009, sobretudo na unidade de aço. Em meados do ano passado, a empresa abriu um programa de demissões voluntárias (PDV) na fábrica de São Bernardo do Campo, que teve adesão de cerca de 150 trabalhadores. A Mangels alegou na época que estava com mão de obra ociosa porque perdeu mercado para empresas que importam aço laminado mais barato.

Antes da Mangels, a Magneti Marelli, subsidiária do grupo Fiat que produz autopeças, enfrentou problema semelhante e acabou fechando a fábrica de São Bernardo do Campo no fim do ano passado. Foram desligados 450 funcionários diretos e 150 terceirizados.

A Mangels busca se capitalizar e reduzir custos e a dívida no curto prazo.

A empresa acumulou este ano, até setembro, um prejuízo líquido de R$ 8,9 milhões, ante prejuízo de R$ 1,7 milhão em igual período de 2011. Nesse período, a dívida líquida da empresa totalizou R$ 176,9 milhões ante R$ 187,9 bilhões um ano antes.

Como a empresa tem ações negociadas na Bolsa de Valores, os resultados do encerramento das operações em São Bernardo do Campo em relação à redução de custos, de dívida e aumento de rentabilidade, serão informados pela companhia na próxima divulgação dos resultados trimestrais.

Segundo fontes do mercado, a decisão de encerrar atividades no ABC teria sido tomada por causa de um conjunto de fatores. Entre eles, a perda de mercado, e o fato de que a fábrica não é considerada moderna.

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