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Manifestações podem afetar investimentos, diz diretor do MDIC

Para Alexandre Comin, o fato de as empresas não conseguirem elevar os preços pesa contra o investimento estrangeiro

FRANCISCO CARLOS DE ASSIS , O Estado de S.Paulo

27 de junho de 2013 | 02h15

A onda de protestos que tomou as ruas das principais cidades do País nos últimos dias pode prejudicar a entrada de investimentos estrangeiros no Brasil, disse ontem o diretor do departamento da indústria e competitividade do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Alexandre Comin.

As declarações foram feitas durante o debate de economistas promovido pela Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização Econômica (Sobeet), no lançamento do World Investment Report 2013, da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (Unctad, na sigla em inglês).

De acordo com ele, pesa contra os investimentos estrangeiros diretos (IED) no Brasil a questão de as empresas não estarem conseguindo aumentar os seus preços, o que, a longo prazo, afeta a rentabilidade sobre os investimentos.

Na avaliação do economista e professor da PUC-SP, Antonio Correa de Lacerda, no curto prazo a onda de protestos poderá impactar negativamente os investimentos estrangeiros no Brasil. Ele acredita, no entanto, que no médio prazo, os investimentos deverão voltar.

Já o presidente da Sobeet, Luis Afonso Lima, é mais otimista. Ele não acredita que os investimentos deixarão de vir ou devem sair do País por causa da onda de manifestações. Ele prevê que o ingresso de investimento estrangeiro no Brasil em 2013 chegará aos US$ 65 bilhões, valor próximo ao registrado em 2012. "Começamos o ano com uma projeção de US$ 55 bilhões, mas até maio os dados já superaram os US$ 60 bilhões", observa Lima. De acordo com ele, o IED tende a ficar próximo ao do ano passado porque as entradas caíram, mas as saídas também foram diminuídas. "Manter o IED do ano passado já é muito bom", disse.

Para outros economistas presentes no debate, como o professor de MBA da Fipe-USP, Marcelo Allain, a questão da incerteza quanto aos marcos regulatórios é outro problema que pode afetar a evolução do investimento estrangeiro direto no País. Ele citou também como exemplo de dificuldade a intervenção do governo no sentido de querer fixar taxa de retorno para os investimentos estrangeiros no País.

Expectativa. O levantamento de perspectivas de investimento mundial (WIPS, na sigla em inglês) aponta que metade das 159 empresas transnacionais consultadas sobre as perspectivas de IED em 2013 se mantiveram neutras. O WIPS faz parte do World Investment Report 2013.

Das 159 empresas ouvidas, 29% responderam estar pessimistas quanto à perspectiva de IED neste ano, 50% mantiveram-se neutras e 21% se disseram otimistas quanto à movimentação dos investimentos entre os países neste ano.

Com relação ao próximo ano, 8% estão pessimistas, 53% neutros e 40% otimistas. Em relação a 2015, 54% dos pesquisados estão otimistas com a perspectiva de IED, 43% neutros e 4% disseram estar pessimistas.

A perspectiva mais provável do IED global em 2013, diante do cenário econômico internacional, é de crescimento, mas muito lento, avalia o presidente da Sobeet. A previsão é a de que o IED global em 2013 some US$ 1,450 trilhão, valor superior ao US$ 1,351 trilhão registrado no ano passado e abaixo do volume pré-crise, de US$ 1,473 trilhão apurado na média de 2005 a 2007.

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