Manifestantes e policiais se enfrentam durante greve geral na Espanha

Jovens atearam fogo em cafeteria e contêineres de lixo e entraram em confronto com a polícia, que se viu cercada e teve de recuar

Théa Rodrigues, especial para o estadão.com.br,

29 de março de 2012 | 16h06

Dezenas de manifestantes lançam objetos em direção aos policiais, enquanto um contêiner de lixo é incendiado

Atualizado às 16h55

BARCELONA - Apesar de a greve geral contra as medidas de austeridade e o alto nível de desemprego na Espanha terem iniciado de forma pacífica, os confrontes de rua tornaram-se violentos em algumas regiões. Por volta das 18h30 (13h30 no Brasil), manifestantes e policiais se enfrentaram na esquina da rua San Pere com o Passeio de Gracia, no centro de Barcelona. O clima ficou tenso depois de um grupo de pessoas atear fogo em contêineres de lixo e impedir o acesso dos furgões da equipe antidistúrbios.

Os policiais foram cercados pelos dois lados da rua e tiveram de recuar em razão da ofensiva dos manifestantes. Eles usaram pedras e bombas para coagir os guardas. Houve correria e algumas pessoas tentaram se abrigar nos vãos das portas de hotéis e lojas.

Pouco antes, um restaurante foi obrigado a fechar as portas diante da ameaça de vandalismo de uma parte dos indignados. Jovens também atearam fogo em uma cafeteria, próxima ao local de enfrentamento. Por toda a cidade é possível ver entidades bancárias quebradas. O jornal espanhol El Mundo falou em "outra batalha campal" no centro de Barcelona.

Às 20h22, a polícia usou balas de borracha para dispersar os manifestantes e os confrontos se intensificaram. Trinta e oito pessoas foram detidas na Catalunha até o memento.

A indústria automotiva da Espanha, que está concentrada na Catalunha, parou. Operários não foram trabalhar nas fábricas das montadoras SEAT e Nissan, segundo o El Mundo. Os metalúrgicos protestam contra a reforma trabalhista defendida pelo primeiro-ministro Mariano Rajoy, de centro-direita.

A greve geral, convocada pelos dois maiores sindicatos espanhóis, deve continuar até a meia-noite do horário local.

Madri

Nas ruas do centro de Madri havia um pouco mais de trânsito do que o normal, já que mais pessoas usaram seus carros para ir para o trabalho. O governo regional da capital entrou num acordo com as operadores de transporte público para que operassem com no mínimo 30% de sua capacidade. Em Madri, a Prefeitura disse que a adesão à greve foi de 26% do funcionalismo público, de acordo com o jornal El País.

Na estação de metrô e trem Sol havia menos atividade do que de costume. Lidia Castillo, garçonete de um restaurante próximo, disse que havia menos pessoas do que o normal no trem, que a trouxe do subúrbio de Villaverde. Segundo ela, os trens passam em intervalos de 20 a 30 minutos, em vez dos 10 a 15 minutos habituais.

Grupos de manifestantes pacíficos apitavam e agitavam bandeiras. Um pequeno grupo parou em frente a um café e colou adesivos na vitrine, antes de um garçom sair e mandá-los embora. "Greves não resolvem nada", disse o garçom Andres.

Em outras partes de Madri, seis policiais ficaram levemente feridos em confrontos com grupos sindicais e manifestantes contrários às políticas de austeridade, informou um porta-voz do Ministério do Interior. Manifestantes bloquearam estradas na Catalunha e em Valência, no leste do país, e fecharam parques industriais em Zaragoza, no norte, de acordo com uma associação de empresas de transporte.

A lei de reforma trabalhista tem como objetivo tornar mais fácil para as empresas demitir e contratar funcionários e é vista pelo governo com uma forma de reduzir a taxa de desemprego no país, que é de 23% e a maior da zona do euro. O projeto foi saudado por autoridades da União Europeia. O governo espanhol diz que se trata do mais importante projeto aprovado neste ano, mas os sindicatos afirmam que ela vai resultar numa taxa de desemprego ainda maior.

(Com informações da Associated Press, da Dow Jones e dos jornais espanhóis El País e El Mundo.)

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