Carlos Nogueira/Tribuna de Santos
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Manifestação contra fechamento da Usiminas em Cubatão reúne 5 mil pessoas

Polícia Militar usou gás lacrimogêneo contra sindicalistas que tentavam bloquear a entrada na usina; companhia decidiu parar a produção de placas de aço na unidade de Cubatão, o que irá gerar milhares de demissões

Luiz Alexandre Souza Ventura, especial para o Estado, O Estado de S. Paulo

11 de novembro de 2015 | 07h27

(Texto atualizado às 16h34)

CUBATÃO - Trabalhadores ligados e diversos sindicatos participaram nesta quarta-feira, 11, da manifestação que reuniu aproximadamente 5 mil pessoas no centro de Cubatão, litoral sul de São Paulo, contra a desativação da Usiminas, siderúrgica que pertence aos grupos Ternium e Nippon Steel, e que emprega até 10 mil pessoas na região. A empresa anunciou no final do mês de outubro que pretende paralisar a área de produção de aço e culpa a falta de dinheiro para justificar a decisão, argumentando que tem enfrentado prejuízos frequentes. No terceiro trimestre de 2015, a companhia registrou seu quinto prejuízo consecutivo, de R$ 1,4 bilhão.

O ato começou cedo, ainda na porta da fábrica, por volta de 4h50. Segundo Claudinei Rodrigues Gato, vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos da Baixada Santista, os trabalhadores foram ao local de forma pacífica. "A Polícia Militar estava na fábrica desde a noite de ontem (terça-feira). Eles até jantaram no refeitório. E os funcionários da noite estavam presos na fábrica há 12 horas, impedidos de sair". 

"Antes de começar o protesto, eu conversei com o capitão da PM e ele me disse que havia uma liminar que nos proibia de impedir o acesso de funcionários à empresa, mas nós não fomos lá para impedir ninguém de trabalhar. E o sindicato não foi informado sobre essa liminar nem o capitão estava com esse documento em mãos", afirma Gato. "A empresa entregou a liminar à polícia 90 minutos depois do começo da manifestação", diz.

O sindicalista ressalta que os ônibus com funcionários do turno da manhã começaram a chegar na fábrica às 6h15, com cerca de 30 minutos de atraso. "Os veículos foram estacionados longe da portaria e os trabalhadores foram andando até a empresa e, por decisão própria, participaram da manifestação antes de entrar. Foi neste momento que as viaturas da PM escoltaram os ônibus vazios para dentro da empresa, usando bombas, gás de pimenta, bala de borracha e cavalaria", afirma o dirigente.

"Não houve nenhuma ação dos manifestantes para impedir o acesso à fábrica, não houve confronto. Eu ainda fui preso, quando estava parado ao lado do caminhão de som, e levado para a delegacia sem nenhum motivo", diz. No 1º DP de Cubatão, Gato e outro sindicalista foram autuados por desacato e ambos também registraram um boletim de ocorrência acusando os policiais de abuso de autoridade. O comando da Polícia Militar afirma que precisou agir porque os manifestantes tentaram impedir a entrada dos funcionários.

A prefeita de Cubatão, Marcia Rosa (PT), participou do ato promovido pelos sindicalistas em frente à prefeitura. "Nossa cidade depende do pólo petroquímico, não é uma cidade turística ou com comércio pujante. Se a indústria fechar e demitir funcionários, isso significa que a dependência da população com o poder público aumenta, mas a cidade não tem recursos", afirma. Rosa diz estar aguardando uma reunião com o presidente da Usiminas, Romel Erwin de Souza, que já foi solicitada mais de uma vez.

"Já houve uma conversa entre o presidente da Usiminas e o ministro Miguel Rossetto (Trabalho e Previdência Social) sobre o impacto da empresa na Baixada Santista, sobre o ICMS de São Paulo, que é de 25%, o mais caro do País, enquanto o de Pernambuco é de 13%, sobre possíveis apoios do Estado e da União e sobre a agressiva competitividade do aço da China", comenta a prefeita.

Rosa afirma que a Usiminas precisa explicar o que fez com R$ 2,4 bilhões obtidos pela empresa com o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Social) em 2011 para serem usados até 2016 na modernização da planta de Cubatão. "Depois disso eles demitem? Há muito a ser justificado, esclarecido. A empresa deve R$ 6 bilhões a Cubatão e não pode fechar, continuar usando o Porto (de Santos) e não dar nenhuma explicação", diz.

Outro lado. A Usiminas afirmou ao Estado, sobre o empréstimo do BNDES, que todos os repasses foram autorizados pelas autoridades competentes. "A Usiminas cumpre todas as cláusulas contratuais e empregou os recursos corretamente, sempre acompanhado por auditorias do BNDES", diz a empresa, que não vai comentar as afirmações da prefeita Marcia Rosa sobre eventuais dívidas da empresa com o município de Cubatão.

A companhia confirmou que, na última sexta-feira, 6, o presidente da Usiminas, Romel Erwin de Souza, esteve em Brasília e participou de uma reunião com o ministro Miguel Rossetto (Trabalho e Previdência Social), encontro no qual apresentou argumentos técnicos e econômicos para a decisão.

"A Usiminas não vai fechar o pátio de Cubatão. Vamos permanecer na cidade. Haverá sim uma desativação temporárias de áreas primárias, que serão reativadas quando o mercado recuperar sua força. O local não será transformado em um terminal logístico, até porque todos os equipamentos da produção de aço líquido e das chapas vão permanecer na fábrica. Não há, até este momento, nenhum projeto da empresa para reverter a decisão", afirma a empresa.

Os principais compradores do aço produzido pela Usiminas estão nos setores automotivo, de óleo e gás, naval, além de máquinas e equipamentos (indústria). Segundo a empresa, o momento é de excesso de oferta e de queda nos preços. "O mundo tem 700 milhões de toneladas de aço sobrando (dados da World Steel). Em 2004, o Brasil importou 189 mil toneladas da China. Em 2014, esse montante chegou a mais de 2 milhões de toneladas. Não há como competir", conclui a siderúrgica.


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