Manifestantes tentam fechar rodovia no interior de SP

No entanto, a polícia interrompeu protesto e paralisação não atingiu o resultado esperado; em Minas, 3 trabalhadores foram detidos pela polícia

Rene Moreira, especial para O Estado de S. Paulo,

25 de julho de 2012 | 17h22

 

FRANCA - A greve dos caminhoneiros não vingou na região de Ribeirão Preto, tendo registrado baixa adesão. Manifestantes tentaram no início da madrugada desta quarta-feira (25) fechar a rodovia Cândido Portinari, no trecho entre Franca e Cristais Paulista, na altura do Posto Paineirão, ponto de parada de caminhoneiros na região. Eles atearam fogo em pneus nas laterais da pista e colocaram caminhões para fechar o tráfego.

Policiais rodoviários solicitaram apoio da Polícia Militar e dos bombeiros que liberaram a rodovia e garantiram o trânsito para os carros que começaram a formar fila no local. Para o presidente do Sindicato dos Transportadores Autônomos da região, Jonas Elias Ferreira, a intervenção da PM atrapalhou o movimento. "Não estamos conseguindo expressar a nossa indignação", afirmou.

Por sua vez, a Polícia Militar informou que a rodovia é escura naquele trecho e a ação no local foi para evitar o risco de acidentes. Foram usadas mais de dez viaturas da PM, bombeiros e Polícia Rodoviária para garantir a segurança no local. A ação acabou por dispersar os caminhoneiros na madrugada e durante o dia o movimento foi normal no local.

O caminhoneiro Márcio Moreira, que é de Anápolis (GO) e que costuma usar essa rodovia transportando portas e janelas de aço, disse que é a favor do movimento, mas que a baixa adesão o fez desistir de cruzar os braços. Ele contou que outro motivo que afastou os caminhoneiro foi que muitos - como ele, nem sabem ao certo quais são as reivindicações.

Minas Gerais

Apesar da expectativa de paralisação em massa da categoria, o saldo registrado em Minas Gerais durante o ato nacional promovido nesta quarta-feira, 25, pelos caminhoneiros foram três detidos pela Polícia Rodoviária e muito trânsito nas estradas. Segundo a PRF, foram formadas filas de caminhões em várias rodovias do Estado, mas o único princípio de tumulto ocorreu em João Monlevade, na região central de Minas, quando um grupo de manifestantes tentou bloquear a BR-381.

Foi esse ato, de acordo com a PRF, que resultou na prisão de três trabalhadores, liberados logo depois. Com a intervenção da polícia, os manifestantes concordaram em manter o protesto apenas em parte da pista na altura do quilômetro 359, o que causou lentidão no tráfego na rodovia que liga a capital mineira ao Espírito Santo.

Além de Monlevade, também ocorreram concentrações de caminhoneiros em outras rodovias na área central do Estado e em municípios da região metropolitana de Belo Horizonte, como Betim e Nova Lima. Apesar de não ter dados oficiais sobre o número de trabalhadores em Minas, o presidente regional da MUBC no Estado, José Acácio Carneiro, avalia que "pelo menos 60%" da categoria aderiu ao movimento. "O protesto é contra a política para os trabalhadores, porque o governo dá com uma mão e tira com duas", afirmou o sindicalista, que também representa a Cooperativa de Transporte Rodoviário e de Consumo do Estado de Minas Gerais (Cotracargem).

Segundo Carneiro, apesar de o protesto não ter ocorrido na dimensão esperada, os trabalhadores fizeram seu papel e cumpriram a orientação da liderança do movimento, de não provocar tumultos ou depredações. Em nota, a direção nacional do MUBC afirmou que "o fato de a maioria dos transportadores terem optado por parar seus veículos nas suas garagens, e a permanência de tráfego de caminhões em diversas rodovias", a impressão é de que o movimento "não teve a adesão prevista".

O texto, assinado pelo presidente nacional da entidade, Nélio Botelho, e divulgado no início da tarde, afirmou ainda que "muitos dos que estão parados já estão inclinados a voltar a rodar", o que seria prejudicial ao protesto. "Estamos em paz com a nossa consciência e convictos do dever cumprido. Um eventual fracasso nessa mobilização estará caracterizado e deixando claro que o setor de transporte de cargas do Brasil é fraco, desunido e manipulado por conflitos de interesses", diz a nota./ Com Marcelo Portela

Paraná

A paralisação dos caminhoneiros no Paraná atingiu 70% da categoria, segundo informações do Sindicato dos Trabalhadores Autônomos de Carga. O presidente da entidade, Nenê Nemi, disse que o movimento foi pacífico e que apenas em alguns pontos isolados houve discussões em pontos de piquetes. No estado atuam cerca de 120 mil caminhoneiros.

O local com maior concentração de caminhões foi no quilômetro 67 da rodovia BR-116, em Campina Grande do Sul, no qual cerca de 100 caminhões chegaram a ficar estacionados até o meio-dia. Durante a tarde a mobilização foi perdendo força e, conforme a Polícia Rodoviária Federal, até o início da noite, havia apenas um grupo de caminhoneiros parado no trecho da rodovia PR-182, em Palotina.

Apesar da paralisação pacífica, houve uma série de piquetes pelo interior do estado. "Na região houve apenas um desentendimento, uma questões de pensamentos diferentes, apenas", disse Nemi. Muitos motoristas abordados encostaram seus veículos nos postos, mas os que decidiram seguir em frente tiveram que enfrentar algumas hostilidades.

No Paraná houve manifestações nas rodovias BR-280, no trevo de Marmeleiro; na PR 182, quilômetro 462, em Realeza; PR-493, em Tapejara do Sul e também nas rodovias PR-180, e PR-566 na região de Dois Vizinhos.

Tudo o que sabemos sobre:
CaminhoneirosFranca

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.