''''Manobra da defesa adiou julgamento de Cacciola''''

Para Tarso Genro, não há erros de tradução nos documentos, e sim dúvidas sobre figuras jurídicas que não existem na legislação de Mônaco

Wilson Tosta, O Estadao de S.Paulo

07 de dezembro de 2007 | 00h00

O ministro da Justiça, Tarso Genro, atribuiu ontem a uma manobra da defesa do ex-banqueiro Salvatore Cacciola, preso em Mônaco - e não a erros de tradução - a decisão do Tribunal de Apelações monegasco de adiar pela terceira vez a sentença sobre o pedido do governo brasileiro de extradição do réu, tomada anteontem. Segundo Tarso, a advogada de Cacciola fez uma "legítima manobra dilatória" ao impugnar a versão para o francês dos documentos em português que instruem o pedido de devolução, ao Brasil, de Cacciola, condenado por fraudes no escândalo do Banco Marka e detido em Monte Carlo depois de usar sua nacionalidade italiana para viver os últimos anos refugiado na Itália. O ministro reconheceu, contudo, dúvidas sobre algumas palavras. "A tradução, por exemplo, da palavra peculato, que não existe dentro do sistema de Mônaco, provavelmente tem outro nome", destacou. Tarso assumiu a defesa pública dos profissionais que traduziram a papelada para o francês. "A tradução foi feita por tradutores juramentados, que sempre fizeram as traduções de documentos do País", destacou o ministro, que ontem se encontrou com o prefeito do Rio, Cesar Maia (DEM), para assinar a adesão do município ao Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci). Para o ministro, enquanto Cacciola estiver preso, esperando a decisão, tudo está bem; o resto, destacou, depende do ritmo da Justiça de Mônaco, que o governo do Brasil respeita. Ele disse que não foi solicitada nova tradução ao País. "Se formos solicitados, vamos apresentar", declarou. "A nossa tradução, repito, foi feita por tradutores, técnicos de alto nível, juramentados, que nunca receberam nenhuma impugnação nas relações internacionais. Receberam agora, como uma manobra da defesa, para tentar dilatar (os prazos), e certamente os advogados estão prevendo que aquela visão da promotora vai ser acolhida pelo Tribunal de Mônaco." Na opinião do ministro, pelas decisões tomadas até agora pela Justiça monegasca, não há perigo de que o ex-banqueiro seja solto. "Mas não podemos prever como o tribunal de Mônaco vai interpretar a sua legislação."

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