Hélvio Romero/Estadão
Hélvio Romero/Estadão

Manobra levou Delfim a ‘desistir’ de Dilma

Ex-ministro disse que o ‘limite da tolerância’ com a presidente foi quando o governo transformou dívida pública em superávit primário

Francisco Carlos de Assis, Fernanda Guimarães, O Estado de S. Paulo

28 de agosto de 2015 | 22h14

CAMPOS DO JORDÃO (SP) - O ex-ministro da Fazenda Delfim Netto disse nesta sexta-feira que o “limite de sua tolerância” com a presidente Dilma Rousseff foi quando o governo transformou a dívida pública em superávit primário. “Ali eu parei. Era inútil”, disse o ex-ministro ao ser questionado, durante um debate no 7.º Congresso Internacional de Mercados Financeiro e de Capitais da BM&FBovespa, em Campos do Jordão, sobre o que teria feito a presidente perder o seu apoio.

Perguntado sobre o por que de ter mudado de opinião a respeito do governo, após ter sido consultor econômico da presidente, Delfim respondeu com ironia: “Você acredita no que escreve a imprensa?” O economista acrescentou que desde dezembro de 2012 tem escrito artigos criticando a condução da política econômica da presidente.

Delfim disse também acreditar que, se o governo está disposto a enviar a proposta que resgata a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) ao Congresso é porque já existe um arranjo político para aprová-la. “Existe um arranjo para passar essa proposta”, disse. 

Para o ex-ministro, a cobrança da CPMF deve ser aprovada porque agora não se trata mais de uma contribuição, mas de um imposto que será dividido com os governadores e prefeitos. “Não é mais uma contribuição. Trata-se de um imposto”, disse o ex-ministro da Fazenda. No entanto, Delfim disse achar que a CPMF deveria ser um imposto direto, com prazo fixo de duração e que sua criação fosse condicionada, como contrapartida, a um corte de gastos públicos na mesma proporção do aumento do imposto. 

Câmbio. De acordo com Delfim, ao longo dos últimos 20 anos o Brasil “roubou” da indústria nacional cerca de US$ 412 bilhões por causa do câmbio. Segundo ele, a taxa de câmbio valorizada dificultou que a indústria brasileira tivesse competitividade para exportar e provocou, ainda, uma maior entrada de produtos importados no País. “O câmbio não é tudo, mas o câmbio e suas circunstâncias são bastante coisa”, disse.

Delfim disse que no passado havia um crescimento “mais ou menos uniforme” entre o Produto Interno Bruto (PIB) da indústria, serviços e agricultura, mas que a partir dos anos de 1985 e 1986 começou a ser notado um distanciamento.

“A indústria murchou”, disse o ex-ministro. Segundo ele, o uso do câmbio é uma das razões, assim, para a queda da produção industrial.

“Com a valorização da moeda a partir de 2006 e 2007, houve uma separação muito grande entre a indústria e o PIB, com a demanda sendo suprida pela importação. Foi um problema de avaliação. O governo achava que faltava demanda, mas o que estava faltando era demanda para a indústria nacional”, afirmou Delfim. 

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