Tiago Queiroz/Estadão
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ESG

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Mansão de Edemar Cid Ferreira, do Banco Santos, é arrematada por R$ 27,5 milhões

Depois de vários leilões fracassados, imóvel poderia sair por R$ 10 milhões, mas conseguiu lances mais altos pela internet; posse depende de pagamento do valor

Fernando Scheller, O Estado de S.Paulo

18 de fevereiro de 2020 | 15h35

Depois de vários leilões fracassados, a mansão de Edemar Cid Ferreira, ex-dono do Banco Santos, foi arrematada nesta terça-feira, 18, às 15h11, por R$ 27,5 milhões – 0 valor foi atingido depois de 16 lances em evento da D1 Lance Leilões, que partiu de R$ 10 milhões. O valor representa cerca de um terço da última avaliação feita por um perito, que estimou o imóvel em R$ 78 milhões. O arrematante terá de fazer o pagamento de 40% desse total em até 72 horas. 

Construído entre 2000 e 2004, ao custo de R$ 120 milhões, o imóvel ficou pronto justamente na época em que o Banco Central decretou a falência do Banco Santos. À medida que os bens da instituição financeira e de seu dono passaram a ser confiscados para fazer frente às obrigações com o órgão regulador, de cerca de R$ 3 bilhões, a mansão também entrou no alvo da Justiça. Em 2011, o ex-banqueiro, que chegou a ser preso, foi obrigado a deixar o imóvel.

Segundo o advogado Pedro Amorim, diretor da empresa D1 Lance Leilões,  o comprador só terá a posse do imóvel após homologada a quitação integral do lance pelo juízo. Caso o vencedor não pague no prazo estabelecido, o participante com o segundo maior lance será acionado para fazer a quitação, caso tenha interesse.

As decisões relacionadas à falência do banco Santos tramitam na 2ª Vara de Falências e Recuperação Judicial do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), com o juiz Paulo Furtado de Oliveira Filho. 

Ostentação

A reportagem do Estadão visitou o imóvel em uma das tentativas de venda, em 2017. Instalada em terreno de 12 mil m², a residência tem 4,5 mil m² de área construída e inclui facilidades como duas piscinas – uma coberta e outra ao ar livre –, uma adega para  5 mil garrafas de vinho, duas bibliotecas (com coleção de livros de arte incluída). Alguns objetos de arte e móveis ainda restam na casa. Só a mesa de jantar de 24 lugares teria custado, na época da aquisição, US$ 350 mil (mais de R$ 1 milhão).

Manter um imóvel dessa magnitude não é fácil nem barato. Desde a expulsão de Edemar, há oito anos, a residência – que, em um certo período, contabilizava quatro moradores e 54 empregados –, custou milhões à massa falida. Isso porque o projeto do arquiteto Ruy Ohtake já incluía, 20 anos atrás, a automação de persianas e um sistema completo de ar-condicionado – luxos que elevaram a conta de luz a R$ 100 mil por mês. 

Além dos gastos fixos salgados, um eventual novo dono também terá de arcar com uma reforma, já que os problemas se proliferam entre corredores de mármore e escadarias suntuosas: há pisos de madeira podres, lâmpadas caídas e portas que já não abrem e nem fecham.

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