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Mantega: a China cresce há 20 anos, por que pararia agora?

Vai entender. Os bons números divulgados ontem nos EUA, sobretudo os que acusaram melhora na compra de casas, animaram os mercados internacionais. Mas, simultaneamente, surgiu uma dúvida que atrapalhou o andar da carruagem: será que o Fed vai mesmo baixar a taxa de juros na sua reunião de setembro? No seminário da BM&F, em Campos do Jordão, no geral, as opiniões não mudaram por causa da melhora de ontem ou da aparente "calmaria" nos mercados esta semana. Acredita-se que ainda haverá muita volatilidade daqui para o fim do ano. Essa perspectiva é correta? "O mercado de derivativos vai ser afetado, sim, mas o impacto desta crise de liquidez na economia real internacional será pequeno", avaliou ontem o ministro Guido Mantega, em conversa com a coluna. E explica: "A desaceleração nos EUA já era esperada por todos. Hoje, depois desta volatilidade toda, pode ser um pouco maior, mas não o suficiente para afetar o crescimento da economia de forma mais significativa." Segundo o ministro, "há muito economista que não vê que, nesta nova dinâmica mundial, temos que ficar de olho no crescimento da China e da Índia. Afinal, os EUA não são mais a locomotiva do mundo, a China passou os americanos". No ver do ministro da Fazenda, não há hipótese de o crescimento no Brasil arrefecer este ano, em conseqüência da crise dos mercados. "Ele já está dado." E 2008? "Também vamos crescer, não acredito em impactos negativos", adianta, lembrando que o Brasil hoje tem defesas como o câmbio flutuante, "um mecanismo de equilíbrio". No ver de Mantega, no caso de impacto negativo, o dólar vai se valorizar e as exportações vão crescer. Caso isso não aconteça, aposta no crescimento do mercado interno. "Já estamos crescendo e temos condições de absorver muito da produção interna, com mais crédito imobiliário e para consumo."Mas o mundo vai desafiar as regras econômicas e continuar crescendo para sempre? "Não, mas a dinâmica do capitalismo mundial mudou com a entrada da China no mercado. A China cresce há 20 anos, o que não ocorria antes. Por que ela pararia agora?" IMPRESSÃO DIGITALSatisfeito com seu fundo Lacan, que obteve surpreendente resultado positivo nesta crise, o ex-BC Luiz Augusto Candiota não relaxa. "Fico impressionado com quem não está dando o devido valor ao tamanho do problema, achando que está tudo resolvido", alerta. "Tudo bem que a dose de morfina (injeção de liquidez dos BCs pelo mundo) foi cavalar e deixou o paciente (os mercados) meio grogue, mas ainda tem muita água para rolar." Destaca que a liquidez injetada pelos bancos centrais é histórica: equivale a 20 vezes o empréstimo de US$ 20 bilhões que o Tesouro americano fez ao México em 94. "Isso para salvar um país."NA FRENTESEM CAPTAÇÕESO Ciesp acaba de tirar do forno pesquisa sobre as condições do crédito à indústria. Foram entrevistadas 636 empresas, das quais 58% pequenas, 35% médias e 7% grandes. Resultado: nada menos que 70% das pequenas empresas, 69% das médias e 64% das grandes nem sequer chegaram a buscar crédito em julho. E o número daquelas que obtiveram crédito caiu de 29%, em 2006, para 26%, este ano.Motivo principal? O dinheiro continua caro, apesar da pesquisa registrar uma queda da taxa mensal de juros, paga pelos industriais, de 2,46%, em 2006, para 1,8%, este ano, ainda muito alta para capital de giro.SEM CAPTAÇÕES 2Boris Tabacof, diretor do Ciesp, destaca, no entanto, que o crédito consignado e o financiamento de bens duráveis acabam influindo na produção e venda da indústria por causa do comércio que cresceu mais de 10% no acumulado deste ano. O que explicaria crescimento da economia como um todo. DATAPelo que se apurou, haverá assembléia dia 28, na Bovespa, para bater o martelo no processo de desmutualização. TRANQÜILODirigente do banco de investimentos do Bradesco, Bernardo Parnes não está aconselhando seus clientes a adiarem seus Ipos neste segundo semestre. "Agosto é um mês de férias no Hemisfério Norte, portanto o teste efetivo para estes lançamentos começará em setembro", pondera o executivo.Admite, porém, que o mercado será mais seletivo. MÉRITOAlain Belda, da Alcoa, recebe em Brasília, terça-feira, a Ordem de Rio Branco.SAI DO PAPELO Rio Grande do Norte iniciou a construção de novo aeroporto próximo a Natal, em parceria com o governo federal. A obra faz parte da Agenda do Crescimento, da governadora Wilma de Faria, e vai custar, em sua primeira etapa, R$ 500 milhões.O BNDES deve participar.SONHO IMPOSSÍVEL?Desejo dos participantes do seminário da BM&F, que acabou ontem: que a reunião do Copom se desse depois da decisão do Fed em setembro. Seus integrantes contariam com cenário mais claro para tomada de decisão. MAU GOSTODaslu faz história. A ala feminina do encontro da BM&F foi às compras na nova loja recém-aberta na cidade de Campos do Jordão: a Eliane Tranqueira. Eliana Tranchesi vai tomar as devidas providências legais com toda razão. CURTASSai resultado positivo da Anbid do balanço de julho da área de auto-regulação de ofertas públicas, que supervisiona, fiscaliza e julga as operações. Mesmo com o aumento de 57% no número de ofertas, as cartas de recomendação por atraso de prazos ou falta de documentação caiu de 22 para 11. O número de multas, de 20 para 11. E não houve processo instaurado no mês. O ex-ministro Roberto Rodrigues, do Centro de Agronegócio da FGV, recebe segunda-feira o "Prêmio Personalidade do Agronegócio 2007". Da Abag.

Sonia Racy, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2024 | 00h00

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