Mantega acha ‘estranho’ BC ter informações sobre Panamericano

Para o ministro, ‘se o BC tivesse sabido, teria cometido infração de não ter avisado’

Renata Veríssimo e Célia Froufe, da Agência Estado,

23 de novembro de 2011 | 14h07

BRASÍLIA - O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que acha estranha a informação de que o Banco Central tinha informações sobre a fraude no Banco Panamericano quando aprovou a venda de parte da instituição para a Caixa Econômica Federal (CEF), em julho de 2010. "Ninguém faz nada sem o aval do Banco Central. A Caixa pediu o aval e só o fez quando o BC liberou esta autorização", disse o ministro. Reportagem do Estado desta quarta-feira, 23, mostra que o BC já tinha indícios de irregularidades no Panamericano quando aprovou a venda de parte do banco para a Caixa, em julho de 2010.

Mantega afirmou que se a operação foi aprovada o departamento competente do BC não tinha suspeitas sobre as irregularidades. "Se o BC tivesse sabido, teria cometido infração de não ter avisado", disse. O ministro afirmou ainda ter conhecimento de que a Caixa mandou fazer diligências no Panamericano antes da compra. "O Panamericano era auditado por vários anos, é que a fraude era de nível internacional, escapou a todos. Acho difícil que o BC soubesse. Caso contrário, teria cometido uma infração, mas quem deve responder a isso é o BC", reiterou.

Mantega esclareceu que não há dinheiro público envolvido porque as transações com fraudes estão cobertas com o Fundo Garantidor de Crédito (FGC). "Não há prejuízo. Não houve pressão do governo. Foi uma decisão da Caixa, porque interessa a ela", disse. Ele ainda esclareceu que as fraudes não estão relacionadas com a crise mundial. "Foi uma fraude muito bem-feita. O BC detectou a fraude depois que a Caixa efetuou a compra, senão a Caixa não teria feito o depósito", completou.

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