Mantega acha possível superávit primário de 2% do PIB em 2015

Ministro vê a economia se recuperando nesse segundo semestre e acha que não será preciso novo aumento dos juros

Renata Veríssimo , O Estado de S. Paulo

19 de novembro de 2014 | 21h36

BRASÍLIA - O governo está fazendo as contas para definir a política fiscal de 2015, mas o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que a economia já dá sinais de melhora, o que permitirá um cenário mais favorável para o ano que vem. Segundo ele, a atividade econômica voltou a crescer no terceiro trimestre, o que pode virar o quadro de recessão técnica registrado no primeiro semestre.

Mantega também apontou uma perspectiva mais benigna para a inflação e afirmou que não enxerga necessidade de novas altas de juros pelo Comitê de Política Monetária (Copom). “Nós estamos num processo de recuperação e vocês não estão percebendo isso. Estão olhando só outras notícias da economia”, disse.

Apesar da proposta de mudança na Lei de Diretrizes Orçamentária de 2014 para permitir que o governo abandone a meta fiscal, o ministro disse que o governo continua trabalhando para ter um superávit primário esse ano. Nesta quarta-feira, a Junta Orçamentária esteve reunida para fechar o relatório de avaliação de receitas e despesas que será divulgado na sexta-feira. 

Nesse documento, o governo deve apontar os ajustes nas contas públicas deste ano. A definição sobre 2014 é um sinalizador importante sobre o desempenho de 2015. Se o governo postergar despesas para o próximo ano, pode comprometer o ajuste fiscal prometido. Por outro lado, precisa decidir se assume a possibilidade de um déficit primário em 2014.

“Estamos trabalhando para ter superávit esse ano. A mudança na LDO significa que podemos fazer um abatimento maior das desonerações que fizemos para resultado primário”, afirmou Mantega. Para 2015, o ministro disse que é possível ter um superávit primário de 2% do PIB, mas destacou que o governo ainda está fazendo as contas.

“Vamos avaliar melhor, inclusive a partir desse comportamento da economia. O que melhora o primário é o crescimento maior da economia e, nesse segundo semestre, está havendo crescimento maior da economia”, afirmou. “Podemos entrar 2015 com a economia se recuperando, com taxa de crescimento maior e isso vai ajudar a ter um superávit primário em torno de 2% do PIB.” 

Segundo o ministro, a economia está crescendo mais no terceiro e quarto trimestres. Ele lembrou que o IBC-Br, prévia do PIB medida pelo Banco Central, apontou para uma taxa de crescimento no terceiro trimestre de 0,6%. “O que é um bom número. Se isso se confirmar no PIB, significa que não terá havido recessão nos dois trimestres que eram negativos no primeiro semestre e que vão virar positivos”, disse.

Segundo Mantega, o IPCA-15 de novembro, que ficou em 0,38% (leia abaixo), também foi uma boa notícia porque mostra uma desaceleração da inflação em relação ao mês anterior. “Significa que a inflação está crescendo menos.”

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