Mantega admite medidas no câmbio

Ministro não foi categórico em negar intervenção, mas ressalvou: somente ?caso o dólar derreta completamente?

Renata Veríssimo e Fabio Graner, O Estadao de S.Paulo

13 de novembro de 2007 | 00h00

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou ontem que o governo pode adotar medidas no mercado de câmbio "caso o dólar derreta completamente". Ele avaliou, no entanto, que o atual momento não requer uma intervenção do governo. "Existe um monitoramento permanente da política, da situação do País, da condição das moedas, mas eu não tenho nada preparado que vá ser feito no momento", garantiu Mantega. Mas, ao contrário do que fez em outros momentos de especulação sobre possíveis medidas cambiais, ontem Mantega não foi categórico em desmentir as notícias. A mudança de tom foi notada também por fontes próximas ao ministro. A avaliação é que ele pode estar tentando manter um certo suspense para conter o dólar por meio das expectativas do mercado. Nos últimos 12 meses, o dólar se desvalorizou 17,38% em relação ao real e 49,7% desde o início do governo Lula, em janeiro de 2003. O ministro avaliou que o impacto da desvalorização do dólar tem sido "agudo" nos últimos tempos, com um descolamento do dólar em relação às outras moedas.Ele disse que o governo poderia ter adotado alguma medida, há cerca de três meses, para responder à crise nos mercados dos EUA. "Vários países fizeram isso, aumentando a liquidez, baixando ou subindo a taxa de juros. Cada um fez aquilo que era necessário. Naquela época nós nos mobilizamos e nos preparamos ou para dar liquidez ou para recomprar títulos. Tudo isso foi desnecessário", explicou. ALTERAÇÃO DE CENÁRIOMantega afirmou que, se houver uma alteração de cenário, como a quebra de um banco americano que possa ter reflexos no mercado de câmbio no Brasil, o governo poderá tomar uma medida relevante e pertinente para o momento. O ministro disse que as políticas cambial e monetária têm de ser acompanhadas a todo momento. "O governo pode resolver que agora não tem o que fazer e amanhã resolver que tem de fazer alguma coisa", reforçou.Segundo ele, o câmbio é uma das questões centrais da política econômica, que deve ser acompanhada como tal porque tem repercussões importantes. "É um acompanhamento normal. Não quer dizer que haja um pacote cambial sendo elaborado", ressaltou.Para o ministro, governo tem de se preocupar com o que está acontecendo agora e com o que acontecerá daqui a pouco, na iminência de o Brasil ganhar o grau de investimento, o que torna o País mais atrativo para investimentos. Mantega avaliou que o setor produtivo tem conseguido superar o problema. "A indústria está crescendo a 5,3% em média, a maioria dos setores está crescendo, mesmo os que mais sofrem com o câmbio - têxtil, moveleiro, calçados - têm uma reação. Claro que estão usando mais o mercado interno, mas não há nada de grave."

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