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Mantega admite possibilidade de não cumprir meta fiscal de 2010

Ministro da Fazenda recua e diz pela primeira vez que existe a possibilidade de não cumprimento da meta cheia de superávit primário das contas do setor público, de 3,1% do PIB

Eduardo Rodrigues e Adriana Fernandes, da Agência Estado,

28 de dezembro de 2010 | 11h39

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, recuou, admitindo pela primeira vez a possibilidade de não cumprimento da meta cheia de superávit primário das contas do setor público em 2010, de 3,1% do PIB. "Estamos trabalhando para o governo (Central) cumprir a meta cheia, mas há algumas dificuldades para Estados e municípios. A União vai cumprir os 2,25%, mas não sei se serão atingidos os 3,1%", afirmou na portaria do Ministério da Fazenda.

O ministro revelou que, pelos resultados de novembro, que serão divulgados hoje à tarde pelo Tesouro Nacional e amanhã pelo Banco Central, a meta cheia não deve ser alcançada. Mantega também disse que não pode se responsabilizar pelo desempenho fiscal de Estados e municípios. Porém, o ministro acrescentou que o aquecimento da economia em dezembro, com o forte crescimento das vendas no Natal, pode ajudar nas receitas dos demais entes federativos.

O ministro também respondeu, após ter sido confrontado por jornalistas, sobre uma aposta feita há duas semanas, em São Paulo, com um repórter da Agência Estado, quando garantiu que a meta cheia de superávit primário seria cumprida. Referindo-se à aposta, Mantega disse que em 2011, a meta será cumprida.

Alta dos juros na China

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que o aumento dos juros chineses deve resultar em uma desaceleração da economia mundial em 2011, devido ao peso da China na recuperação do mercado global. Segundo o ministro, no entanto, essa desaceleração já era esperada devido "ao refluxo das medidas de estímulo tomadas durante a crise e que agora estão sendo retiradas".

Segundo Mantega, por conta disso, o crescimento brasileiro também será afetado. "Quando a China coloca o pé no freio, afeta os outros países, uma vez que os emergentes agora têm peso maior", disse. De acordo com o ministro, o aumento dos juros determinado pelo governo chinês tem o objetivo de conter a inflação no gigante asiático.

Para ele, um dos motivos das pressões inflacionárias foi a política anticíclica adotada pelo governo da China durante a crise para concessão de crédito, que injetou US$ 1,2 trilhão no mercado. "Talvez tenha sido um pouco exagerado e acabou resultando numa bolha imobiliária", disse Mantega.

Além disso, completou o ministro, a China seria muito sensível ao aumento dos preços das commodities alimentícias. "Quanto menor é a renda da população, maior é o peso do custo dos alimentos na inflação", concluiu Mantega. (Eduardo Rodrigues e Adriana Fernandes)

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