Mantega admite que ranking não reflete padrão de vida

Sem grandes alardes, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, comemorou ontem a elevação do Brasil para a sexta posição na lista das maiores economias do mundo. Em vez de oba-oba, Mantega preferiu dar um tom mais realista ao desempenho do Brasil, ao prever que poderá demorar de 10 a 20 anos para que o cidadão brasileiro tenha um padrão de vida semelhante ao do europeu. Para o ministro, o Brasil ainda não pode ser considerado um país avançado.

ADRIANA FERNANDES / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

27 de dezembro de 2011 | 03h03

Ao comentar o estudo do Centro de Pesquisa para Economia e Negócios (CEBR, em inglês), que já aponta o Brasil como a sexta maior economia do mundo, à frente do Reino Unido, o ministro destacou os desafios que faltam para consolidar essa posição. E disse que o País ainda precisa investir bem mais nas áreas social e econômica.

Segundo Mantega, apesar de o Brasil ter triplicado a renda per capita na última década (hoje em US$ 12,5 mil por ano), esse indicador precisa avançar mais. Pelos cálculos do ministro, a renda per capita precisa chegar a US$ 25 mil ou US$ 30 mil por ano para que toda a população possa gozar de um padrão de vida satisfatório. "Isso significa que nós vamos ter de continuar crescendo mais do que esses países, aumentando o emprego e a renda da população", disse.

Segundo Mantega, o Brasil vai consolidar a posição de sexta maior economia do mundo porque continuará crescendo mais do que outros países, já que a crise internacional afeta hoje mais as economias avançadas. Disse ainda que essa posição vai ser consolidada e que a tendência é de que o Brasil se mantenha entre as maiores economias do mundo nos próximos anos.

Desafio. "Nós temos um grande desafio pela frente. Temos de caminhar muito e melhorar ainda mais o padrão de vida da população, com mais acesso a bens e serviços, saúde, educação e moradia", afirmou o ministro.

Ao citar as boas relações comerciais do Brasil com outros países, especialmente os asiáticos, ele destacou que, atualmente, o Brasil é "respeitado e cobiçado, tanto que os investimentos estrangeiros diretos devem somar US$ 65 bilhões este ano".

Para continuar em destaque no cenário global, o ministro disse que será preciso manter o dinamismo da economia e o enfrentamento dos problemas gerados pela crise, como o encolhimento dos mercados, a falta de crédito internacional e o aumento da concorrência predatória.

O Brasil, disse, tem condições de aumentar a média de crescimento acima de 4% nos próximos anos, posicionando-se ao lado da China, Índia, Rússia e Coreia. Por outro lado, previu que os países da Europa crescerão entre 1,5% e 2%. E os EUA terão dificuldade para crescer mais do que 2%. Na semana passada, durante balanço de fim de ano, o ministro já havia antecipado a possibilidade de o Brasil saltar para a sexta posição.

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