Mantega admite queda do PIB e quer corte de juros

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse ontem que o Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre deste ano "certamente" será negativo em relação ao apurado no quarto trimestre de 2008. "Há economistas fora do governo que preveem queda de 1%, 2% ou 2,5%, mas eu não vou fazer previsão." Na avaliação do ministro, contudo, essa será uma notícia do passado, "vista pelo retrovisor", pois a economia brasileira já apresenta recuperação clara em vários setores, o que foi, segundo ele, propiciado pela ação rápida do governo ao adotar medidas anticíclicas para diminuir os impactos da crise no País. Ele destacou a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para compra de automóveis novos e produtos da linha branca, o aumento do crédito, que contou com a colaboração especial dos bancos públicos, e também a iniciativa do governo de reduzir impostos sobre materiais de construção civil. "O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) tem R$ 160 bilhões para financiar investimentos e capital de giro de empresas." Segundo o ministro, a economia brasileira continuará em gradual expansão e, em 2010, deve retomar um nível mais elevado de crescimento, quando deve avançar perto de 4%. Mantega mostrou-se descontente com o atual nível de juros reais do Brasil. "Alguns estão satisfeitos com esses juros reais de 5%. Eu não estou satisfeito, pois 5% é taxa de aplicação (financeira)", comentou, em evento realizado ontem pela Globo News. Segundo o ministro, esse nível de juro real contempla basicamente investimentos, mas o custo de empréstimos por empresas e cidadãos ainda é alto. "O tomador de crédito paga 28%, 30%, 40%, 50% ao ano."

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