Mantega afirma que já vê recuperação

Ministro da Fazenda acredita que o País irá crescer mais 2,5% este ano e acha 'equivocada' a avaliação de que a atividade está em patamar baixo

LU AIKO OTTA/ BRASÍLIA , O Estado de S.Paulo

28 de junho de 2012 | 03h05

Os primeiros sinais de recuperação da economia brasileira já começam a aparecer, segundo o ministro da Fazenda, Guido Mantega. Ele assegurou ontem que o Produto Interno Bruto (PIB) crescerá mais do que 2,5% este ano e afirmou que estão equivocados os que acreditam que a atividade encontra-se num patamar baixo.

"Já estamos crescendo", insistiu, durante o discurso no qual anunciou as novas medidas de estímulo ao investimento e à indústria. Um dos sinais citados pelo ministro foi o aumento no volume das operações de crédito, de 49% do PIB em abril para 50,1% em maio.

A retomada da atividade será beneficiada também pela queda nos juros e pelo alongamento nos prazos dos empréstimos à pessoa física. Em abril, disse ele, o custo estava na faixa dos 45% ao ano. Em maio, já havia recuado para 39%.

"Já tenho os dados da primeira quinzena de junho que mostram que a queda continua ocorrendo", afirmou. Houve recuo também no custo do crédito às pessoas jurídicas. "Trata-se de um forte estímulo ao aumento da produção."

Outro fato que contribui para a recuperação econômica é a valorização do dólar ante o real. "Isso significa que a produção fica mais barata", disse, referindo-se aos custos medidos em dólares.

Emprego. O principal indicador de vigor da economia é o emprego. "Estamos criando mais empregos do que a População Economicamente Ativa", afirmou Mantega. "É uma situação excepcional."

A taxa de desemprego, segundo ele, é a menor da série histórica. "Significa que a crise é conhecida pelos jornais e pelo noticiário, mas na prática a população não se defrontou com ela."

O emprego e a renda em alta fazem do País um dos mercados de consumo mais dinâmicos do mundo, disse o ministro. A despeito do quadro otimista, a presidente Dilma Rousseff advertiu para a gravidade da crise e alertou para o risco de "aventuras fiscais". Ela explicou: "aventura fiscal é a gente se comportar como se não estivesse acontecendo nada". E frisou: "Não podemos nos dar à soberba de achar que podemos brincar à beira do precipício."

O recado, que soou estranho na cerimônia de anúncio de aumento de gastos para estimular a economia, teve como alvo o Congresso, onde nos últimos dias avançaram propostas com grande efeito sobre as contas da União, Estados e municípios.

É o caso, por exemplo, da emenda à Constituição que acaba com as travas ao crescimento dos salários no serviço público, aprovada em comissão especial na semana passada. Anteontem, a Câmara aprovou medida que dobra o orçamento da área de Educação, sem indicar de onde virá o dinheiro para isso.

O Planalto ainda tenta evitar a votação de uma lei que reduzirá a jornada de trabalho dos enfermeiros de 40 horas para 30 horas semanais, medida que aumentará as despesas do setor público.

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