Mantega: alguns países devem deixar o euro

Em entrevista, ministro afirma que alguns países podem ser beneficiados pela desvalorização de suas moedas locais

CIDADE DO MÉXICO, O Estado de S.Paulo

27 de fevereiro de 2012 | 03h07

Alguns países da zona do euro podem ficar em melhor situação se deixarem de usar a moeda única da região para ganhar mais flexibilidade em suas economias, disse o ministro da Fazenda, Guido Mantega, em entrevista publicada ontem pelo jornal Financial Times.

O ministro brasileiro, segundo a entrevista, afirmou que alguns países da zona do euro seriam beneficiados pela capacidade de desvalorização das suas moedas quando enfrentarem pressões sobre suas dívidas.

"O problema real que eu vejo é que, durante momentos de crises, os países não podem ter flexibilidade cambial", disse. "É um problema que precisa ser repensado dentro da União Europeia". Mantega fez as declarações durante a reunião do G-20, encerrada ontem.

Segundo o FT, Mantega disse que alguns países deveriam discutir a possibilidade de deixar a moeda europeia uma vez que a crise atual tenha sido resolvida.

O ministro também insistiu que é preciso que os países da zona do euro avancem na questão do Mecanismo Europeu de Estabilidade para que seja possível reforçar o caixa do Fundo Monetário Internacional (FMI).

"O fortalecimento do FMI depende um pouco do avanço dos países europeus", disse ele ao Financial Times. "É necessário reforçar o FMI, porque a economia mundial está desacelerando e deverá permanecer assim por algum tempo. Isso vai trazer novos problemas para nós."

Para Mantega, os países europeus devem ser divididos em dois grupos. "Um grupo tem de implementar um forte ajuste fiscal, e outro grupo, fiscalmente mais saudável, deve realizar a consolidação orçamental, juntamente com as políticas para estimular uma recuperação do crescimento", disse.

Mantega também afirmou que a escolha do sucessor do atual presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, deve ser meritocrática e não por nacionalidade. "O mundo mudou e existem outros atores lá fora", disse ele. "As instituições têm de se adaptar às novas circunstâncias."/ DOW JONES NEWSWARE

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