Mantega alia-se a Dilma e defende superávit primário atual

O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Guido Mantega, alinhou-se com a posição da ministra chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, ao sustentar que a atual política fiscal é "suficiente" para responder aos desafios da redução da dívida pública em relação ao Produto Interno Bruto (PIB). Conforme argumentou, não é necessário ao País um esforço fiscal adicional - ou seja, a elevação da atual meta de superávit de 4,25% do PIB ao ano - arrecadação menos as despesas, exceto o pagamento de juros. Contudo, Mantega sustentou que é "imperativo" reduzir gastos de custeio como meio de aumentar os recursos disponíveis para os investimentos do governo."Não sou favorável a um aperto fiscal exagerado. Ao contrário, sou a favor da manutenção do superávit fiscal em 4,25%", afirmou Mantega. "Não há nenhuma proposta oficial relacionada ao aumento do esforço fiscal porque a política fiscal é vencedora. Ela tem trazido segurança e estabilidade", completou.Mantega ressaltou que desconhecia os defensores da tese de aumento do esforço fiscal dentro do governo e que se havia oposto à sugestão do deputado Delfim Netto (PMDB-SP) de definição de uma meta de déficit nominal zero - ou seja, de equilíbrio entre as receitas e as despesas, acrescidas dos gastos com o pagamento de juros da dívida."Não sei quem pôs essa questão em debate no governo", insistiu o presidente do BNDES. Ao ser informado pelos repórteres de que a proposta vem sendo defendida pelo seu sucessor no Ministério do Planejamento, Paulo Bernardo, Mantega rapidamente retrucou: "Cabe ao ministro fazer ensaios sobre a proposta. Mas ela é apenas uma sugestão. Como ministro do Planejamento, ele tem de buscar a redução dos gastos com custeio".Plano "rudimentar" Ontem, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, afirmou que o plano de ajuste fiscal de longo prazo proposto pelo ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, é ?rudimentar?, não está sendo discutido no governo e o presidente Lula o desconhece. ?Esse debate é absolutamente desqualificado,não há autorização do governo para que ele ocorra?, disse Dilma, em entrevista exclusiva ao Estado.A ministra afirmou que um plano de estabilidade fiscal de 10 anos não pode ser feito só com base em ?planilhas? e modelos econômicos. ? Fazer um exercício dentro do meu gabinete e achar que ele será compatível com o nosso País não é consistente. Quando você fala em dez anos, tem de ?combinar com os russos?, que são os 180 milhões de pessoas que vivem no Brasil?, disse Dilma, repetindo a célebre frase de Mané Garrincha na Copa de 1958.Nas últimas semanas, Bernardo vem discutindo um plano que prevê rígido controle dos gastos públicos por um período superior a cinco anos e elevação do superávit primário. O objetivo seria chegar a uma queda sustentada dos juros e ao aumento dos investimentos em infra-estrutura. ?Essa versão (de que existe uma discussão) é absolutamente fantasiosa. Se alguém quiser fazer esse processo de ajuste, terá de apresentar e passar por todos os trâmites?, disse Dilma.

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