Mantega ameaça adotar novas medidas no câmbio

Ministro reitera discurso contra a guerra cambial no mundo e avisa que os especuladores no Brasil devem ''se acautelar''

Ricardo Leopoldo, O Estado de S.Paulo

26 de julho de 2011 | 00h00

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, deu ontem novo recado aos investidores que acreditam que a valorização cambial continuará firme no curto prazo. "Nós poderemos tomar novas medidas para impedir essa valorização. Não podemos antecipá-las, mas podem esperar."

"Sempre que a gente fala, acaba em medidas. Portanto, os especuladores que se acautelem." O dólar renovou o menor nível desde o início de 1999, a R$ 1,543.

Mantega destacou ainda que o câmbio não está sendo utilizado pelo governo como um dos principais instrumentos para combater a inflação. Segundo ele, isso está sendo feito, sobretudo, pela política fiscal e pela política monetária do Banco Central.

De acordo com o ministro, o câmbio é uma questão que preocupa e causa apreensão por dois motivos. De um lado, expressa problemas da economia mundial, pois muitos países têm dificuldades financeiras, o que acaba repercutindo na desvalorização de suas moedas.

De outro lado, argumentou, "há manipulação cambial, a guerra cambial de países que procuram reduzir o valor de suas moedas para poder exportar mais e ter maior competitividade".

O ministro destacou que alguns países estão tão necessitados em exportar, para expandira arrecadação e os níveis de emprego, que estão fazendo operações triangulares com "sinais de fraude" para vender os seus produtos para o Brasil.

"Vamos combater a concorrência desleal", ressaltou o ministro, dizendo que a Receita Federal organizou um novo departamento de inteligência para atuar com foco nesses casos.

Desoneração. Mantega garantiu que "nas próximas semanas", haverá novidades sobre a desoneração da folha de pagamento das empresas. Ele destacou que o governo federal conversa com empresários e trabalhadores para que seja desenhada uma boa proposta nessa direção, pois, segundo ele, é muito elevada a contribuição patronal de 20%.

De acordo com Mantega, o debate caminha bem e está quase chegando "nos finalmentes". O ministro, porém, não quis antecipar detalhes. O ministro da Fazenda ressaltou que, antes da decisão ser tomada, o governo anunciará na próxima semana a nova fase da Política de Desenvolvimento Produtivo (PDP). Sem entrar em detalhes sobre as medidas, Mantega destacou que o governo vai adotar ações para estimular os investimentos das empresas.

Além disso, disse que esse conjunto de ações terá também como foco colaborar para que o setor manufatureiro enfrente melhor o ingresso de produtos importados, o que está sendo provocado tanto pelo que ele chama de guerra cambial - travada por muitos países que desvalorizam o câmbio para elevar suas exportações como também pelo nível valorizado do real ante o dólar.

O ministro afirmou, ainda, que a política de rigor fiscal adotada pelo governo será mantida em todo o ano e não será afetada pelo avanço da arrecadação nos últimos meses.

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