Mantega: aporte ao FMI não busca enfraquecer o dólar

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou hoje que a aplicação de US$ 10 bilhões das reservas internacionais brasileiras para a aquisição de bônus do Fundo Monetário Internacional (FMI) não é uma ação para enfraquecer o dólar, mas representa um reconhecimento da importância de outros ativos nas transações internacionais. "Não nos interessa enfraquecer o dólar porque isso significa valorização do real, o que prejudica as exportações", disse Mantega. "Não queremos enfraquecer o dólar, mas sim fortalecer os Direitos Especiais de Saque (do FMI)", reiterou.

FABIO GRANER E RENATA VERISSIMO, Agencia Estado

10 de junho de 2009 | 13h52

O ministro explicou que esse montante de US$ 10 bilhões para a aquisição de bônus do FMI são adicionais a outro aporte de recursos que o governo brasileiro se comprometeu a fazer, por ocasião da reunião do G-20, que será calculado conforme a participação do Brasil nas cotas do fundo.

Mantega lembrou que esses recursos que estão sendo colocados agora na instituição não mudam a participação do Brasil no fundo, cujo processo de revisão está sendo previsto para ser concluído em janeiro de 2011. O Brasil quer uma participação maior nas cotas do FMI para poder ter maior influência nas decisões da instituição.

Mantega afirmou que o Banco Central é quem vai decidir que aplicação será resgatada para que o governo adquira os US$ 10 bilhões em bônus do FMI. "A decisão de onde vão sair os recursos das reservas é do BC, que é quem administra as reservas", disse Mantega, destacando que o rendimento desses bônus do FMI ainda não está definido, mas não deve ser muito diferente dos cobrados nos títulos do Tesouro americano. "Não vamos esperar um grande rendimento porque senão o FMI teria de repassar esse custo para os países que tomarem dinheiro emprestado", afirmou Mantega.

Segundo o ministro, esses recursos que estão sendo emprestados pelo Brasil e outros países, como China e Rússia, ajudarão o Fundo a socorrer países que estão em mais dificuldade por conta da crise, ajudando a retomar o comércio mundial e viabilizando um recuperação mais rápida da economia mundial.

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