Mantega assegura que economia está crescendo de forma robusta

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, assegurou nesta quinta-feira, logo após a divulgação do crescimento de 0,5% do PIB do segundo trimestre ante o primeiro, que a economia brasileira está crescendo "de forma robusta". O ministro sustentou a certeza de que o PIB fechará o ano com expansão de 4%. "Evidentemente, existe sazonalidade, não é um crescimento contínuo, igual. Cada trimestre tem um comportamento diferente", disse. Segundo ele, o desaquecimento verificado no segundo trimestre foi ocasionado por razões já conhecidas. Mantega citou, entre elas, a realização da Copa do Mundo, com menos dias úteis de trabalho, a greve da Receita Federal e os trabalhos de manutenção em algumas plataformas da Petrobras.Para o ministro, a desaceleração do PIB foi "pontual" e é um processo "superado". "Nós já estamos numa trajetória de aquecimento a partir de julho", disse Mantega, citando como exemplo crescimento nas vendas de automóveis e no consumo de energia elétrica. "Então, a economia está crescendo - posso afirmar aqui - de forma robusta. O mercado interno está sólido, está se ampliando, porque a massa salarial está crescendo e porque os empregos estão se ampliando." Este quadro, assinalou o ministro, será mais visível nos dados do terceiro trimestre. SelicMantega rechaçou qualquer motivação política na decisão do Copom, que na quarta-feira reduziu em 0,5 ponto porcentual a taxa Selic. De acordo com o ministro, a queda, que surpreendeu o mercado, "pode ser explicada pelo fato de a inflação estar abaixo do centro da meta"."Isso é algo inédito no País. A inflação está dando uma folga para a queda da taxa de juros. A gente teria que se surpreender se ela não caísse porque a cada mês que passa a previsão de inflação para 2006 dá um pouquinho mais baixo", disse. Segundo Mantega, há espaço para a manutenção da queda da Selic nas próximas reuniões do Copom. "Qualquer economista pode fazer esses cálculos, pode fazer essa dedução. Não há nenhuma interferência política", enfatizou.Mantega chegou a ser indagado, numa rápida entrevista, sobre a possibilidade de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ter solicitado uma redução maior da taxa de juros ao Copom. "O presidente Lula não costuma fazer pedidos para o Copom, o Banco Central e o Copom têm autonomia de decisão. Eles têm feito isso, deram demonstrações ao longo do tempo de que têm autonomia e, em algumas ocasiões, o presidente disse até que ficou chateado, que podia ser diferente. Então não há nenhuma interferência", reafirmou o ministro.Mantega observou ainda que tanto o BC quanto o Copom têm uma missão a cumprir, que é perseguir a meta de inflação determinada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Segundo ele, foi "exclusivamente dentro desses critérios" que se estabeleceu o corte de 0,5 ponto porcentual na Selic. O ministro garantiu também que a economia brasileira está "animada" e, segundo ele, a prova disso é a contínua redução da taxa de juros. "Não está desanimada não, embora ela tenha tido uma queda em um determinado mês. A taxa Selic está caindo desde setembro do ano passado. Então, o que está reanimando esta economia, entre outras coisas, é a queda dessa taxa", disse, salientando ainda que a redução decidida na quarta pelo Copom só vai se refletir na atividade econômica num período entre 5 e 8 meses à frente.

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