Mantega atribui inflação a 'feijãozinho que todo mundo come'

Ministro minimizou, no entanto, impacto desse movimento de alta nos preços sobre crescimento da economia

Adriana Fernandes, da Agência Estado,

29 Abril 2008 | 20h53

O problema é o "feijãozinho que todo mundo come". Foi dessa forma, bem-humorada, que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, avaliou nesta terça-feira, 29, o processo de alta da inflação. Segundo o ministro, se não fosse a alta nos preços do "feijãozinho", a projeção de inflação pela IPCA para 2008 seria de 4,4%, valor abaixo da meta de 4,5% estabelecida para este ano. Veja também: Entenda os principais índices de inflação  Especialista da Fipe comenta aceleração da inflação ONU cria força-tarefa para combater crise dos alimentosEtanol do Brasil não altera preços dos alimentos, diz FMIPreço do petróleo em alta Entenda a crise dos alimentos no mundo   Pelos cálculos do ministro, a projeção de inflação para este ano está em 4,7%. Em encontro sobre a proposta de Reforma Tributária com parlamentares de sete partidos, no Palácio do Planalto, o ministro reconheceu o aumento da inflação, mas minimizou o impacto desse movimento de alta nos preços sobre o crescimento da economia.  Segundo ele, a inflação está "perfeitamente" controlada no País. "De fato, a inflação está subindo. Subiu a previsão de IPCA de 2008 para 4,7%. Tirando o feijão, o feijãozinho que todo mundo come, nós teríamos uma inflação de 4,4%", disse o ministro na reunião.  O encontro foi fechado à imprensa, mas um pequeno trecho das declarações do ministro foi captado enquanto os cinegrafistas faziam imagens. Segundo Mantega, o aumento do preço do feijão elevou em 0,3 ponto porcentual a projeção de inflação.  Na avaliação do ministro, a elevação dos preços do leite e derivados pesa mais 0,3 ponto porcentual no índice. "A inflação está perfeitamente controlada. Outros (países) emergentes estão com a inflação bem acima do que no Brasil", avaliou. Mantega destacou que inflação subiu no Brasil devido ao aumento dos preços das commodities, principalmente de alimentos.  No trecho de sua fala captado pelos cinegrafistas, o ministro não cita a fonte da projeção de 4,7% do IPCA de 2008. A pesquisa Focus, do Banco Central - com projeções dos analistas do mercado financeiro, divulgada na segunda-feira - mostrou um aumento de 4,71% para 4,79%da estimativa de IPCA para 2008.  Presente no encontro, o ex-ministro e deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE) relatou que Mantega demonstrou com números que a projeção de inflação para 2008 seria menor do que 3,5%, sem a alta do preço dos alimentos, que é provocada por fatores externos. "O que ele (Mantega) falou é o que ele tem dito em público. Há uma pressão de inflação em alimentos e que essa pressão é ditada por fatores externos, que não é alcançável pela taxa de juros", afirmou Ciro.  Para o deputado, essa pressão, por não ocorrer no Brasil, mostra que a decisão do Banco de Central de aumentar a taxa Selic na última reunião do Copom, foi um equívoco. "Na minha opinião, e não na dele (Mantega), sinaliza para o equívoco do Banco Central", disse Ciro.

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