Mantega: Brasil assinará acordo de US$ 10 bi com o FMI

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse hoje, em entrevista no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), que o governo brasileiro assinará na próxima reunião do G-20 (grupo que reúne as 20 maiores economias do mundo) um acordo que transfere para o Fundo Monetário Internacional (FMI) US$ 10 bilhões. O encontro dos países ocorrerá em Pittsburgh, nos Estados Unidos, neste mês. O dinheiro será usado em programas do FMI para o combate à crise financeira internacional e será revertido em bônus, emitidos pelo fundo. Os recursos são provenientes das reservas brasileiras.

LEONENCIO NOSSA, Agencia Estado

08 de setembro de 2009 | 14h40

Mantega informou que outros países emergentes, como a China (US$ 50 bilhões), a Rússia (US$ 10 bilhões) e a Índia (US$ 10 bilhões), vão comprar bônus do FMI. Ele relatou que, em reuniões de ministros da Fazenda e da Economia e presidentes de Bancos Centrais do G-20 e dos Brics (Brasil, Rússia, Índia e China), houve consenso de que as mudanças no FMI e no Banco Mundial devem ser mais rápidas. Os países emergentes querem, segundo o ministro, que aumente de 40% para 47% seu poder de voto no fundo. "Hoje, o poder de voto no FMI é de 60% para os países chamados avançados e de 40% para países em desenvolvimento", disse o Mantega. "Nós colocamos como meta passar 7% das ações dos países avançados para os emergentes", afirmou.

Na avaliação do ministro, muitos países europeus perderam poder decisório desde a criação do FMI, na década de 40. "Tirando a França, o Reino Unido e a Alemanha, os demais países europeus não têm o mesmo peso que tinham no passado", afirmou Mantega.

O ministro relatou que, na reunião de hoje do grupo de coordenação política do governo, ele apresentou dados que mostram uma retomada do crescimento no País. Mantega disse ainda que os incentivos concedidos pelo governo e as desonerações no setor automobilístico e na indústria da chamada linha branca (fogões, geladeiras e lavadoras) estão mantidos, dentro dos prazos estabelecidos para cada um deles. "Pelo PIB (Produto Interno Bruto) industrial da semana passada, foi registrado um crescimento de 2,2% em relação ao mês anterior. Isso é sinal de que a indústria está em forte recuperação no Brasil", comemorou o ministro.

Mantega avaliou que as medidas de desoneração foram um sucesso. Ele destacou que o Brasil apresentou bons resultados em sua política de incentivos, mesmo gastando menos que outros países. Segundo ele, a China gastou 12% do PIB para combater a crise e, no Brasil, esse porcentual não chegou a 1%.

Setor financeiro

O ministro da Fazenda afirmou que, na próxima reunião do G-20, os países do grupo vão voltar a defender as regras para o sistema financeiro. Segundo ele, algumas instituições já voltaram a fazer ações especulativas como no passado, o que resultou na atual crise financeira. "Isso traz a necessidade de uma regulamentação. Não podemos relaxar e deixar voltar o que era antes. Se bobear...O que o mercado financeiro quer é que não se coloquem regras", afirmou o ministro.

Mantega disse que é preciso, por exemplo, exigir maior volume de capital depositado para operações de risco nos bancos. Além disso, ele defende o fim da política de bônus em que as instituições financeiras estimulam diretores a conceder empréstimos sem garantias.

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