Mantega calcula alta de 0,5% a 1% no 2º tri

É uma forte desaceleração na comparação com a taxa de 2,7% registrada no 1º tri

Francisco Carlos de Assis, Marcelo Rehder, O Estado de S.Paulo

31 de agosto de 2010 | 00h00

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, calculou ontem expansão de 0,5% a 1% para o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro no segundo trimestre, ante o primeiro. O resultado será divulgado sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Mantega disse que a economia brasileira certamente crescerá a uma taxa menor do que a do primeiro trimestre - que foi de 2,7% ante o quarto trimestre de 2009 e de 9% ante o primeiro trimestre do ano passado. "Eu não vou cravar o número aqui, prefiro trabalhar com o intervalo de 0,5% a 1%", disse o ministro, ao participar do 7.º Fórum da Economia, promovido pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) em São Paulo.

Segundo Mantega, o mercado estava pessimista em relação ao PIB de 2010, mas agora já crava expectativas em torno de 7% (na pesquisa Focus divulgada ontem é de 7,09%), mesmo prognóstico da Fazenda. "Esta será a maior taxa de crescimento dos últimos 24 anos. Só em 1986, tivemos crescimento parecido."

Para 2011 a 2014, o ministro acredita que a economia brasileira tem condições de crescer a uma taxa média anual de 5,8%. "Para 2011, acreditamos num crescimento em torno de 5%. Nós acreditamos em crescimento sustentado e com qualidade."

A avaliação do ministro não é muito diferente da maioria dos economistas. Porém, eles vão além e preveem crescimento entre 1% e 1,5% para o PIB do terceiro trimestre comparado com o trimestre anterior. Para José Julio Senna, sócio da consultoria MCM, o PIB deverá crescer ao redor de 1,1%. "A gente acha que agora a economia entrou em ritmo de cruzeiro, muito próximo do potencial de crescimento estimado pela maior parte dos economistas em 4,5% ao ano."

Para a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), o crescimento do PIB no terceiro trimestre ficará entre 1% e 1,5%. "Passada a ressaca pós-benefícios tributários, a economia voltou à normalidade", disse Paulo Francini, diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos da Fiesp.

Francini argumentou que o Indicador de Nível de Atividade (INA), que mede o desempenho da indústria paulista, voltou a crescer em julho, após dois meses de queda. A alta foi de 0,65%.

Automóveis. As vendas de automóveis são um bom indicador da retomada no terceiro trimestre. Dados de agosto mostram que o setor automotivo caminha para um novo recorde. Até 29 de agosto (com 20 dias úteis), foram emplacadas 276.251 unidades, o que já representa crescimento de 7% sobre o mesmo mês de 2009, que tinha sido o melhor agosto da história.

A previsão é que, nos dois dias que faltam para encerrar o mês, as vendas se intensifiquem e fechem o período com 303.876 unidades vendidas. Se confirmado, o número de agosto também ficará acima do registrado em julho, quando as vendas do setor totalizaram 302.427 unidades. No acumulado do ano até 29 de agosto, foram vendidas 2.158.278 unidades, o que representa mais 9,32% ante igual período de 2009.

Mesmo com a desaceleração no segundo e terceiro trimestres, em relação ao primeiro, a expansão dos investimentos permanece forte, segundo a maioria dos analistas. No segundo trimestre, momento mais fraco da atividade econômica em 2010, a projeção de um banco de investimentos europeu é de que os investimentos tenham crescido 3% em relação ao trimestre anterior, em base dessazonalizada - o que equivale a um ritmo anual de 12,6%. "Esse crescimento dos investimentos deve aumentar a capacidade produtiva em 12 a 18 meses", diz Paulo Levy, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). / COLABORARAM FERNANDO DANTAS E BETH MOREIRA

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