Mantega cobra mais produção da Petrobrás

Ministro da Fazenda quer aumento da geração de petróleo e rejeita reajuste de preços pedido pela presidente da empresa, Graça Foster

Antonio Pita, O Estado de S. Paulo

05 de junho de 2014 | 05h00

Sem atender aos pedidos da presidente da Petrobrás, Graça Foster, por reajuste nos combustíveis, o ministro da Fazenda e presidente do conselho de administração da estatal, Guido Mantega, tem intensificado a pressão para aumentar a produção de petróleo, segundo fontes ligadas à empresa. 

O Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, apurou que nas duas últimas reuniões do colegiado, em abril e maio, o ministro rejeitou novos pedidos de aumento de preços feito por Graça para mitigar as dificuldades financeiras da empresa.

Mantega indica que a estatal deve buscar uma solução para os problemas e não aguardar uma ajuda do governo. “É como se ele dissesse: se vocês tivessem produzindo mais, não passariam por isso. É uma forma de pressão”, diz uma fonte próxima ao conselho que prefere não se identificar.

As cobranças da executiva para uma revisão no valor dos combustíveis têm sido frequentes nas reuniões do conselho, segundo a fonte. Apesar de não fazer um pedido explícito, Graça Foster expõe reiteradamente a delicada situação financeira da Petrobrás. 

Defasagem. No último ano, o governo concedeu dois aumentos no preço dos combustíveis. O último, concedido em novembro, elevou os preços em 4% para a gasolina e 8% para o diesel.

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Procurado, o Ministério da Fazenda não quis se pronunciar na reportagem
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Com o aumento da demanda interna, a Petrobrás tem ampliado as importações, pagas na cotação internacional do barril. Com a tarifa represada, a companhia tem arcado com a defasagem. 

Nos dois últimos encontros, a executiva da Petrobrás expôs ao ministro o risco de a empresa ser rebaixada em agências de classificação internacional, em função das limitações financeiras. 

Em março, a nota da empresa já havia sido rebaixada pela Standard&Poor’s, para BBB-, acompanhando a reclassificação do País pela agência. 

Graça também citou, como consequência, um aumento no custo de crédito e financiamento internacional à empresa. 

Apesar da insistência, Mantega segue rejeitando as abordagens de Graça Foster. O recado dado na última reunião é que a “estabilização” do câmbio no País já ameniza a situação da empresa.

Procurado, o Ministério da Fazenda não quis se pronunciar na reportagem. 

Contabilidade. No último ano, a alta de 13% dólar levou a empresa a adotar uma contabilidade de hedge para limitar a exposição às moedas estrangeiras em seu balanço. Nesse ano, o real se valorizou em cerca de 3%, diminuindo as perdas da empresa. Mas a melhora cambial pode não ser suficiente, diante do aumento do endividamento da empresa. 

No balanço do primeiro trimestre, a empresa alcançou a marca de R$ 308 bilhões de dívida bruta, com uma alavancagem que preocupa analistas do mercado. 

A pressão do ministro da Fazenda, Guido Mantega, condiz com o tom adotado pela presidente Graça Foster sobre a necessidade de aumento de produção da empresa. 

“Nada pode deter a curva de produção”, afirma repetidamente a executiva. Em maio, Graça Foster reafirmou a confiança na capacidade de alcançar a meta de alta de 7,5% na produção de petróleo ainda este ano. 

Os primeiros resultados da companhia, entretanto, não são animadores. No primeiro trimestre deste ano, houve um recuo de 1,9% na produção causado, segundo Graça, por paradas em plataformas de grande rendimento. 

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