Mantega comenta queda dos juros e subida do dólar

O ministro do Planejamento, Guido Mantega, teve a seguinte reação à queixa de empresários do setor exportador de que o real está supervalorizado em relação ao dólar: "O câmbio e a taxa de juros são as duas faces da mesma moeda. A queda da taxa de juros provocará uma elevação do câmbio, e portanto as duas variáveis estarão numa posição adequada para a indústria e para as exportações." O ministro fez a declaração em entrevista ao programa Conta Corrente, da Globo News, quando também afirmou que os juros continuarão caindo, já que a inflação está sob controle e caminhando para as metas que estão estabelecidas. Segundo Mantega, os prognósticos para o ano que vem indicam que o IPCA ficará em 6,1%. Reforma tributáriaGuido Mantega não vê problemas maiores com o encaminhamento que está sendo dado à reforma tributária, cujo projeto original do governo foi mudado, e continuará mudando por pressão dos governadores e dos prefeitos. Para ele, se o Congresso simplificar o ICMS, adotando uma legislação única e com apenas cinco alíquotas, já será um grande avanço, acompanhado da transformação de alguns tributos em permanentes, como é o caso da CPMF, que não precisariam mais ser discutidos a cada exercício. "Acho que na questão da reforma tributária precisamos avançar até onde der. O sistema que nós temos hoje é ruim, é atrasado e não beneficia ninguém. Se nós melhorarmos isso, acho que cada passo de avanço é um resultado positivo para toda a sociedade."Economia e impostosPara o ministro do Planejamento, apesar de o País ter uma das maiores cargas fiscais do mundo, o fato é que com o desaquecimento da economia a receita tributária dos Estados e municípios diminuiu. "É lógico que os governadores tentem aumentar sua participação (na receita), mas como nós não queremos aumentar a tributação para o País, pois queremos uma reforma tributária neutra, já que a carga fiscal é muito elevada, nós temos de lutar para que se mantenha o equilíbrio e também para que a União não saia perdendo nesta brincadeira."Acordo com o FMISobre a renovação do acordo com o Fundo Monetário Internacional, Mantega disse que se está dando muitA importância à questão, já que o País está hoje numa situação muito mais favorável do que no ano passado, quando foi assinado o acordo. Lembrou que o Brasil dispõe hoje de reservas de 17 bilhões de dólares e deverá fechar a balança comercial deste ano com um superávit de mais de 20 bilhões de dólares. "Então, esse novo acordo é facultativo. O Brasil pode celebrá-lo, ou não. Se celebrá-lo, nós teremos um pouco mais de reservas para enfrentar alguma possível turbulência. Nós vamos continuar negociando, vendo quais são as condições (do FMI), mas uma coisa é certa: as condições que forem firmadas não impedirão os avanços do País em direção ao desenvolvimento sustentado; não poderão criar óbices para esse crescimento. Essa é uma determinação do presidente da República."

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.