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Mantega completa 7 anos e meio como ministro da Fazenda

Em seis meses, Mantega vai igualar a marca de Pedro Malan, que foi o ministro durante o governo de FHC, entre janeiro de 1995 e janeiro de 2003 

João Villaverde, da Agência Estado,

28 de outubro de 2013 | 13h19

BRASÍLIA - O economista Guido Mantega completa hoje 7 anos e meio à frente do Ministério da Fazenda. Dentro de apenas seis meses, Mantega vai igualar a marca de Pedro Malan, que foi o ministro da Fazenda durante o governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), entre 1º de janeiro de 1995 e 1º de janeiro de 2003. Como revelou ontem o Estado, Mantega já sinalizou internamente que ficará até o fim da gestão Dilma Rousseff, em dezembro de 2014, e, caso Dilma seja reeleita nas eleições do ano que vem, o atual mandatório não permanecerá em Brasília.

Desta forma, Mantega caminha para atingir 8 anos e 9 meses como ministro da Fazenda. A marca não é desprezível. Se o atual ministro permanecer no cargo até 31 de dezembro do ano que vem, ele terá batido um recorde - será a autoridade que mais tempo permaneceu como ministro da Fazenda desde a instauração da República, em 15 de novembro de 1889.

O recorde pertence ao gaúcho Artur de Sousa Costa, que foi ministro da Fazenda justamente por 8 anos e 9 meses, mas em períodos cortados, entre 24 de julho de 1934 e 29 de outubro de 1945, quando o País era governado pelo presidente Getúlio Vargas. Durante esse período de 11 anos e 3 meses, Sousa Costa se ausentou do cargo por 2 anos e sete meses. Entre 14 de junho e 9 de agosto de 1937, a Fazenda foi ocupada interinamente por Orlando Bandeira Vilela. Mais tarde, de janeiro de 1939 a março de 1941, Romero Estelita Cavalcanti Pessoa foi o ministro. Finalmente, entre junho e agosto de 1944, o cargo foi ocupado por Paulo de Lira Tavares.

Política econômica. Com Mantega no comando da política econômica, o Brasil viveu períodos muito distintos. Em 2006, seu primeiro ano como ministro da Fazenda, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou alta de apenas 3,14%, a menor de toda a gestão do PT no governo federal. Também naquele ano o saldo comercial atingiu o maior patamar da história, US$ 46 bilhões. Em três anos - 2007, 2008 e 2010 - a economia cresceu a taxas muito expressivas, sendo que o avanço de 7,5% do PIB em 2010 foi o maior em 24 anos.

Nos últimos tempos, no entanto, o sinal mudou. A balança comercial passou todo o ano de 2013 deficitária. A inflação medida pelo IPCA, que chegou a bater 7,3% nos 12 meses acumulados em setembro de 2011, dificilmente fica abaixo de 6% de forma consistente. O crescimento do PIB foi de apenas 0,9% em 2012, registrando o segundo pior resultado de todo o período petista no governo federal - o nível mais baixo foi em 2009, no entanto, aquele foi o ano crítico da crise mundial, que explodira no fim de 2008. Finalmente, a política fiscal tem sido foco das principais críticas de publicações estrangeiras especializadas, investidores internacionais e organismos multilaterais, como a OCDE e o FMI.

No início deste ano, Mantega viveu o período de maior pressão sobre seu desempenho, em sete anos e meio. Logo em janeiro, a contabilidade criativa feita pelo Tesouro Nacional para fechar as contas em 2012 foi revelada, e críticas pesadas do mercado foram feitas à Fazenda. Pouco depois, em março, o IBGE divulgou o resultado oficial do PIB do ano anterior, e ficou comprovada a alta de apenas 0,9%. As críticas se acumularam, uma vez que, na mesma época, a inflação continuava forte - o que levaria o Banco Central a iniciar o ciclo de elevação das taxas de juros, em abril. A revista britânica The Economist chegou a pedir a presidente Dilma Rousseff, de forma irônica, que mantivesse Mantega na Fazenda.

Aos poucos, no entanto, a situação foi melhorando. As críticas sobre a política fiscal e a condução do Tesouro Nacional continuam fortes e persistentes entre investidores, economistas do mercado financeiro, e publicações especializadas, mas o ritmo da economia real melhorou.

O segundo trimestre de 2013 registrou alta de 1,5% no PIB na margem, isto é, na comparação com o primeiro trimestre - que, por sua vez, já registrara alta de 0,6%. Depois de amargar resultados pífios ao longo dos trimestres de 2011 e 2012, Mantega colecionou dois bons resultados neste ano, o que permitiu a equipe econômica consolidar uma previsão de alta do PIB no ano de "pelo menos" 2,5%.

O ministro da Fazenda trabalha hoje para fazer com que a alta da taxa de investimentos verificada no primeiro semestre deste ano se consolide. As concessões de infraestrutura são a grande aposta do governo para isso, e internamente Mantega tem ficado do lado que defende que as maiores taxas de retorno sejam oferecidas aos empresários nos editais de licitação.

PIB. Internamente, a equipe econômica nutre a meta de fazer com que o PIB deste ano registre um aumento superior a 2,7%, que foi a maior marca do governo Dilma - atingida justamente no primeiro ano, quando o País ainda estava sob o impulso do crescimento aquecido de 2010. Desta forma, as condições econômicas para um crescimento um pouco maior no ano eleitoral de 2014 estariam criadas.

Como afirmou em sua mais recente entrevista, concedida ao Estado há dez dias, o PIB de 2014 deve crescer 3% "com certeza", e pode chegar a 4% caso a economia mundial cresça um pouco mais do que se prevê hoje.

Outro motivo de preocupação do ministro que completa 7 anos e meio na Fazenda é a inflação. Incomodado com a alta de preços, mas crítico de gestões anteriores do Banco Central que atacavam a inflação sempre com a mesma arma - uma elevação forte das taxas de juros - Mantega considera "livre" o caminho do BC para fazer a Selic voltar ao patamar de dois dígitos. Hoje, a Selic está em 9,5% ao ano, e o mercado especulava que o BC não teria condições políticas para levar a taxa a 10% ao ano. Declarações recentes de Mantega, no entanto, dirimiram essas dúvidas, e hoje o mercado já precifica uma nova alta de 0,5 ponto porcentual na Selic na reunião de novembro.

A partir daí, a preocupação na equipe econômica será outra: a Selic estará próxima de 10,5% ao ano, justamente a taxa que vigorava em janeiro de 2011, quando Dilma Rousseff assumiu a Presidência da República. Um dos eixos mais importantes da "nova matriz macroeconômica", como Mantega chamou o que o mercado entende por "modelo Dilma", é o esforço pela redução das taxas de juros. Mas, depois de todo o esforço dos últimos três anos, a Selic pode voltar, em 2014, para o patamar que estava quando Dilma chegou ao terceiro andar do Palácio do Planalto.

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