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Mantega contesta FMI e diz que Brasil continuará intervindo no câmbio

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Pablo Uchoa, BBC

19 de abril de 2012 | 20h06

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, contestou nesta quinta-feira a chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI), Cristine Lagarde, sobre a taxa de câmbio dos países emergentes, afirmando que o Brasil continuará intervindo para reduzir o valor de sua moeda.

Em Washington, onde chegou para participar das reuniões anuais do FMI e do Banco Mundial, o ministro disse que a indústria brasileira tem perdido competitividade por causa do valor do real, supostamente pela falta de ação das autoridades financeiras dos outros países.

"Veja, no caso do Brasil, somos um dos países que mais sofrem com a valorização do câmbio. Nossa indústira tem perdido competitividade em parte por causa da desvalorização das moedas de outros países", disse Mantega.

"Nós estamos provando na prática que fazendo intervenções no câmbio - já que outros países resolveram usar essa estratégia - nós podemos diminuir essa desvantagem que nossa indústria tem tido a partir de um câmbio valorizado."

A declaração de Mantega foi uma resposta à declaração da diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde, que mais cedo havia dito que os países emergentes precisam fazer ajustes ou aceitar uma taxa de câmbio mais alta.

"A Europa não é o único lugar onde é preciso agir. Os mercados emergentes também devem tratar de seus problemas", disse.

"Outros mercados emergentes precisam ficar atentos aos fluxos de capitais, e administrá-los com as ferramentas de prudêcia macroeconômica necessárias, ajustarem suas moedas da forma apropriada e aceitarem a evolução de suas moedas."

Nesta quinta-feira, Mantega disse que acha a declaração "um equívoco".

"De jeito nenhum. Temos uma relação clara em relação a isso e inclusive temos o apoio dos membros do FMI. No nosso caso, ela (a intervenção no câmbio) é absolutamente necessária e nós vamos continuar fazendo."

Juros

O ministro também falou da redução na taxa de juros brasileira. Disse que "há uma reação muito positiva do setor financeiro a essa demanda de redução de spreads e aumento do crédito".

"Estava ocorrendo no Brasil algo semelhante ao que está ocorrendo nos Estados Unidos e a União Europeia, a desalavancagem dos bancos. A partir da desaceleração do ano passado, o setor financeiro continuou reduzindo a oferta de crédito e elevando o custo financeiro", afirmou.

"Houve uma mudança. Eu saúdo essa mudança que o setor financeiro está fazendo, disposto a reduzir as taxas de juros e o spread, portanto dando ao povo brasileiro a oportunidade de consumir a taxas mais baixas. Isso vai estimular o consumo, o investimento e a atividade econômica." BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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