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Mantega critica 'cautela' dos bancos

Em encontro com industriais paulistas, ministro considerou 'inoportuna' a ação das instituições, que têm sido mais seletivas no crédito

ADRIANA FERNANDES , FERNANDO NAKAGAWA / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

28 de março de 2012 | 03h06

A maior cautela na oferta de crédito pelos bancos foi criticada pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega. Em reunião fechada anteontem na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Mantega considerou "inoportuna" a ação das instituições, que têm sido mais seletivas nos financiamentos. Os dados revelados ontem pelo Banco Central, que mostraram o encarecimento do crédito, aumentaram a contrariedade do ministro.

No encontro com industriais paulistas, Mantega foi questionado pelo presidente da Fiesp, Paulo Skaf, sobre restrições impostas recentemente por alguns bancos privados no mercado de crédito. O ministro criticou a estratégia e prometeu que o governo vai agir para melhorar as condições nos financiamentos.

Essa intenção foi reforçada ontem após a divulgação do relatório do BC. Na equipe econômica, os números fortaleceram o diagnóstico de que a retomada da atividade é atrapalhada pelo elevado custo dos financiamentos.

Há pouco mais de uma semana, após reportagem do Estado sobre o plano do governo de usar instituições públicas para tentar reduzir os juros, representantes de bancos privados sondaram o Ministério da Fazenda para obter detalhes da estratégia.

Em grandes instituições privadas, há a percepção de que esse plano pode ter caráter "político". No governo, a avaliação é rechaçada, e o ministro Mantega argumenta que as margens praticadas pelos bancos são incompatíveis com o grau de segurança do sistema financeiro nacional.

Previsões. Alinhadas com o desejo do ministro da Fazenda, projeções do BC confirmam que os bancos estatais devem crescer com mais força. Em 2012, o total de empréstimos dos bancos públicos - como o Banco do Brasil e a Caixa - deve avançar 19% ante 2011. O ritmo será acima do esperado para os privados nacionais, que devem ter expansão de 12%, e para os estrangeiros, de 13%.

Pela previsão do BC, o crédito deve crescer, na média, 15% no ano. Em 2011, subiu 19%. O chefe do Departamento Econômico do BC, Túlio Maciel, considerou a desaceleração e o ritmo previsto para o ano como "adequados" à economia brasileira. Nos últimos 12 meses, porém, o volume segue em ritmo maior: 17,3%.

O analista de bancos do BES Securities, Gustavo Schroden, concorda que haverá dois ritmos no mercado. "Os privados seguem cautelosos com a crise externa e as consequências para o Brasil. Além disso, existe preocupação com o desenrolar da inadimplência, que segue em patamar considerado elevado. Esses bancos serão mais seletivos e vão avaliar melhor os clientes."

Em relatório, o Credit Suisse concorda com o BC e prevê que o crédito deve crescer 15% no ano. De acordo com estimativas da instituição, os dois maiores privados - Itaú e Bradesco - vão avançar abaixo desse nível, na casa dos 13% a 14%. / COLABOROU ALTAMIRO SILVA JÚNIOR

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