Yuri Gripas/Reuters
Yuri Gripas/Reuters

"be water"

Coluna Leandro Miranda: como se moldar à nova economia após a covid-19?

Mantega culpa americanos por guerra cambial

Sobre a política chinesa, de manter a moeda artificialmente desvalorizada, o ministro da Fazenda brasileiro não disse uma única palavra

Gustavo Chacra CORRESPONDENTE / NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

13 de outubro de 2010 | 00h00

Em apresentação a investidores em Nova York, o ministro da Fazenda do Brasil, Guido Mantega, criticou duramente o governo americano e culpou os Estados Unidos e outros países desenvolvidos pela falta de um acordo internacional para impedir uma guerra cambial. Ao mesmo tempo, evitou condenar a China por manter artificialmente sua moeda desvalorizada.

Dizendo ser um defensor da flutuação do câmbio em todo o mundo, o ministro disse ter esperança de que os países consigam chegar a um acordo em encontro do G-20 no próximo mês. Mantega, em sintonia com analistas internacionais, afirma que todos os países tendem a perder se não atuarem em conjunto.

"O Fed (o banco central americano) promete uma expansão quantitativa da moeda, despejando recursos na economia. Outras nações avançadas estão fazendo o mesmo. Mas isso não vai reativar as economias. Na verdade, vai apenas desvalorizar o dólar e outras moedas, incluindo a chinesa, que está atrelada à americana", disse o ministro brasileiro em apresentação no Council of the Americas.

Sem conseguir se expressar em inglês e recorrendo a um tradutor, Mantega disse "condenar as ações na área cambial, pois podem prejudicar o comércio exterior. O ideal seria a livre flutuação. Espero poder discutir a questão no G-20. No fim, é uma guerra comercial".

Com a expansão monetária, segundo ele, os dólares serão aplicados nos mercados emergentes, como o Brasil, que terão suas moedas ainda mais valorizadas.

Na avaliação do ministro, não há risco de um duplo mergulho, com a economia em formato de "W", enfrentando nova recessão no curto prazo. "O mais provável é que EUA e União Europeia fiquem em "L", com as economias demorando muito tempo para se recuperar."

Sempre frisando a crise americana, Mantega insistiu no elevado desemprego nos EUA e afirmou que os consumidores do país estão só pagando dívidas.

"Arma secreta". Por enquanto, Mantega disse aos investidores que a única medida do governo brasileiro para conter a valorização do real será o recém implementado IOF sobre aplicações financeiras. Questionado se o governo tem algum outro mecanismo caso a medida fracasse, Mantega afirmou haver "uma arma secreta", sem especificar qual seria essa arma.

Os investidores mostraram-se preocupados com a falta de algumas reformas. Mantega disse que poderia ter sido feito mais. Segundo ele, o ideal seria que a aprovação da reforma tributária, mas a proximidade das eleições impediu que a proposta fosse enviada ao Congresso.

Durante toda a apresentação, o ministro evitou criticar a China, que tem sido duramente condenada pelos EUA e outros países por manter artificialmente a moeda valorizada. Perguntado pelo Estado se a moeda chinesa não seria um problema, ele preferiu voltar a criticar os americanos. "A origem do problema está no baixo nível de demanda nos mercados avançados", apesar de ressaltar que entende os obstáculos políticos enfrentados pela administração de Barack Obama.

O ministro também afirmou que as famílias brasileiras são uma das menos endividadas do mundo. Segundo Mantega, poderia haver mais endividamento na compra de imóveis. Para ele, "não há bolha imobiliária".

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.