Mantega: decisão sobre compulsórios foi 'adequada'

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, considerou "muito adequada" a decisão do Banco Central, divulgada ontem à noite, de alterar o nível de compulsórios dos bancos no Brasil. Segundo ele, a medida da autoridade monetária faz com que o sistema retorne ao status verificado no período pré-crise. "Foi uma medida importante, pois agora (o BC) considera que o crédito está normalizado", disse.

CÉLIA FROUFE E RENATA VERÍSSIMO, Agencia Estado

25 de fevereiro de 2010 | 12h41

Mantega ressaltou que o sistema está muito líquido e a prova disso é que os bancos estavam esterilizando essa liquidez em operações compromissadas. O ministro ressaltou que a sobra de caixa dos bancos que aplicam nos papéis do Banco Central no overnight (por um dia) estava próxima a R$ 600 bilhões e que, agora, com a decisão da autoridade monetária, esse volume deve cair para algo em torno de R$ 530 bilhões. "Haverá uma troca, mas não haverá diminuição de crédito neste momento", previu. "Liquidez um pouco menor não é problema", emendou.

Mantega evitou fazer estimativas a respeito de possíveis mudanças dos departamentos econômicos dos bancos em relação ao próximo momento de alta da Selic após a decisão do BC. "Não faço esse tipo de previsão. Prefiro deixar que as instituições financeiras façam suas projeções", afirmou. O ministro descartou também a possibilidade de a alteração do nível dos compulsórios ter como consequência uma freada na economia. "Não acredito nisso", disse.

Mantega afirmou também que o ministério não tem e não teve nenhuma posição sobre o depósito compulsório recolhidos pelos bancos ao Banco Central. Segundo ele, esta é uma atribuição fundamentalmente do BC. "Claro que a equipe econômica discute grandes questões, mas o BC é quem avalia a oferta de crédito e nós concordamos que a medida (de reversão da flexibilização dos compulsórios adotada na crise) é adequada", afirmou. Mantega negou que o Ministério da Fazenda defendesse, nos bastidores, mudanças no compulsório para evitar uma elevação da taxa Selic. "Não sei o que é bastidor, isso é coisa de teatro. Não tem bastidor na equipe econômica", ironizou.

Juros

O ministro da Fazenda disse que não vê "razão para aumentar taxas de juros e spreads (diferença entre o custo de captação e o custo que os bancos repassam aos clientes) no País". Segundo ele, o aumento das taxas cobradas ao consumidor de dezembro para janeiro deve ser fruto de um conjunto de variáveis monitoradas pelas instituições financeiras. "Se houve aumento das taxas, não foi por causa da medida do BC, que só ocorreu ontem. Os bancos olham para uma série de variáveis", afirmou.

De acordo com o ministro, a área de consumo está tendo a oferta de crédito necessária nos últimos meses. Na avaliação de Mantega, o crescimento da oferta de crédito observado em 2008 era exagerado e a expansão de 20% ao ano visto nos últimos meses "é muito boa". "Não precisa expandir mais do que isso na minha opinião", afirmou.

Superávit

Mantega disse ainda que o superávit primário (economia para o pagamento dos juros da dívida pública) realizado pelo setor público em janeiro (R$ 16,185 bilhões) mostra uma melhoria "muito expressiva" nas contas públicas. "É um excelente resultado, que mostra que vamos fazer o superávit de 3,3% do PIB este ano", disse.

Segundo o ministro, o resultado também demonstra que as contas públicas vão muito bem e que há uma recuperação da economia. Mantega destacou que, embora essa recuperação demore a ser sentida no resultado das contas públicas, a arrecadação de receitas já está forte e supera o nível de 2008 e 2009. "Estamos no caminho certo da sustentabilidade fiscal que vem sendo prometida pelo governo", afirmou.

Para ele, o resultado de janeiro é muito importante em ano eleitoral, quando as "más línguas gostam de falar que vamos gastar mais". "Eu garanto que vamos fazer o resultado fiscal deste ano. As contas de janeiro mostram que estamos no caminho para fazer este resultado", completou.

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