Mantega defende medidas do governo para exportadoras

´Eu não sei como R$ 3 bilhões podem ser inócuos´, diz ministro

Agencia Estado

14 de junho de 2007 | 16h49

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, respondeu às críticas ao pacote de medidas anunciado para auxiliar as empresas exportadoras prejudicadas pelo câmbio. Alguns empresários disseram que medidas semelhantes já foram tentadas anteriormente, sem que se tenha alcançado os resultados esperados."Eu não sei como R$ 3 bilhões podem ser inócuos. Para mim não são inócuos, não sei para os empresários", afirmou o ministro em entrevista ao Jornal das Dez, da Globo News, demonstrando certa irritação. Ele garantiu que haverá redução de juros e, portanto, de custos financeiros das empresas.Quanto às queixas de que o pacote não atacaria o problema principal, que é a valorização do real, foi incisivo: "O governo não jogou a toalha, muito pelo contrário. O governo está atento e vai coibir todos os abusos e toda a especulação que houver na área do câmbio."Segundo Mantega, as empresas terão acesso a financiamentos para capital de giro a juros de 6% ao ano, diante dos 20% a 25% atuais. "É uma redução de juros de 15%, muito mais do que a valorização do real ao longo deste ano", salientou. O pacote também tornaria mais baixo o custo de financiamentos destinados a novos investimentos. "Estamos dando condições para que as empresas brasileiras possam competir em condições de igualdade no mundo globalizado."Câmbio e SelicO ministro também falou das recentes medidas anunciadas pelo Banco Central para reduzir a possibilidade de operação dos bancos brasileiros no mercado futuro de dólar. "Essa medida deverá exercer um efeito daqui a 30 dias, porque as instituições financeiras têm até o dia 2 de julho para se adaptar às novas condições", ressalvou o ministro.Mantega disse ainda que a redução do número de intervenções do BC no mercado de câmbio não significa que ele tenha desistido de atuar no controle da moeda. Mas ressalvou que o regime de câmbio continuará sendo flutuante e que devemos nos acostumar com a valorização da moeda. "Mas o BC tomou essas medidas prudenciais e poderá tomar outras medidas, se forem necessárias. Vamos coibir os excessos de valorização."Sobre as queixas de que o ritmo de redução da taxa básica de juros, a Selic, ainda está aquém do desejado, o que acabaria inibindo o crescimento, Guido Mantega reiterou que a Selic não serve mais de parâmetro para investimentos. "As taxas mais importantes são as de 360 dias, ou de 2 anos, que estão abaixo da Selic", observou. Até mesmo o consumidor final, segundo ele, já estaria sentindo a redução dos juros. "O investidor vai ao BNDES e consegue taxas de financiamento baixas. As taxas de juros da economia brasileira estão caindo em todos os mercados."Custo BrasilOs investimentos em infra-estrutura previstos no PAC também devem auxiliar as empresas a ganhar competitividade externa, ao reduzir o chamado Custo Brasil. "Por isso o PAC está se dedicando a aumentar a oferta de portos, aeroportos, estradas, ferrovias e baratear o custo da energia elétrica", frisou o ministro.Mantega voltou a afirmar que o País está crescendo a uma taxa acima de 4% do PIB, mas negou-se a adiantar o porcentual de crescimento do primeiro trimestre, a ser anunciado nesta quarta-feira, 13. "Eu não sei qual é o número de amanhã (quarta-feira), mas tenho certeza de que será um número favorável."

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