-15%

E-Investidor: como a queda do PIB afeta o mercado financeiro

Mantega defende nova linha do FMI para crédito a comércio

Ministro quer crédito àqueles que importam produtos do Brasil; segundo ele, serão necessários mais US$ 100 bi

Adriana Fernandes, da Agência Estado,

24 de março de 2009 | 15h37

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse nesta terça-feira, 24, que o Fundo Monetário Internacional (FMI) terá de criar também uma linha adicional para oferecer crédito ao comércio exterior aos países emergentes. Segundo ele, para essa linha, serão necessários US$ 100 bilhões. A linha terá de ter regras diferentes da linha de crédito flexível que o FMI anunciou nesta terça. "O comércio sofrerá uma retração esse ano, em parte porque a demanda caiu, mas em parte também porque está faltando crédito", disse Mantega, na portaria do Ministério da Fazenda.

 

Veja também:

FMI reforma empréstimos e cria nova linha de crédito

Brasil é país do G-20 que menos gastou com ações anticrise

especialDe olho nos sintomas da crise econômica 

especialDicionário da crise 

especialLições de 29

especialComo o mundo reage à crise  

  

O FMI reformulou o modo de fazer empréstimos a países membros, tendo em vista a piora da crise econômica global, e criou uma nova linha de crédito flexível para economias emergentes bem geridas. Segundo o ministro, essa linha é de rápido acesso e sem a necessidade que os países cumpram metas estabelecidas pelo Fundo Monetário.

 

Para Mantega, a decisão do FMI é uma vitória do Brasil. Segundo ele, esse é um pleito que o governo brasileiro fez junto ao Fundo e que, na última reunião de abril, formulou por escrito. Ele disse que o FMI tem hoje US$ 250 bilhões, mas vai precisar de US$ 500 bilhões a US$ 1 trilhão a mais para atender a demanda. Mantega disse que o governo japonês já se comprometeu a disponibilizar US$ 100 bilhões.

 

Questionado se o Brasil seria candidato a essa linha, Mantega respondeu: "o Brasil conseguiu acomodar a sua necessidade de crédito. É mais importante dar crédito àqueles que importam produtos do Brasil", disse Mantega. Segundo o ministro, as exportações brasileiras diminuíram em parte porque alguns consumidores de produtos brasileiros estão sem crédito. "Basta dar crédito a eles, que vai melhorar a situação do Brasil", disse.

 

O ministro disse que o Brasil vai defender, na próxima reunião do G-20, que os países que hoje estão recebendo mais fluxos de capitais reforcem o caixa do FMI. Segundo ele, o Brasil não precisa da linha de crédito do FMI. Mas, quando questionado se poderia colocar recursos no Fundo, respondeu: "o Brasil poderá até colocar, mas o mais importante é que os países que têm recebido grande fluxo coloquem".

 

Segundo ele, a linha tem taxas de juros reduzidas, semelhantes à linha tradicional de stand by do FMI, com três anos e meio de carência para o início do pagamento e prazo de cinco anos para pagamento. A taxa de juros é de 1,5% a 3% ao ano.

 

O ministro foi questionado se a Argentina, parceiro comercial do Brasil, é um dos países que precisará da ajuda do FMI, mas evitou responder e disse que não cabe ao governo brasileiro falar sobre o assunto. O anúncio de Mantega foi feito há pouco na portaria do Ministério da Fazenda, em Brasília.

 

Pacote de Obama

 

Mantega avaliou que o anúncio do plano de socorro aos bancos dos Estados Unidos, feito ontem, é "bem-vindo e é um passo importante". Ele disse que é urgente esse plano porque o crédito internacional é deficitário. Segundo Mantega, a gestão dos ativos tóxicos é importante porque esses ativos são hoje o principal obstáculo para a regularização do crédito e da confiança internacional.

 

"É um passo importante, não sei a eficácia. Não estudei a fundo. Mas tudo que for feito nesse sentido, é bem vindo e urgente", disse. "É urgente que os Estados Unidos tomem medidas, porque até agora não foi regularizado (o crédito internacional)", completou.

 

Transações correntes

 

Ao comentar o resultado das contas externas divulgado hoje pelo Banco Central, o ministro disse que o governo espera uma melhora na conta de transações correntes. Segundo ele, há uma diminuição da remessa de lucros e dividendos e também das importações, porque o Brasil está crescendo menos. Segundo o ministro, o Brasil terá um saldo comercial "razoável" e em função disso "poderemos ter estabilidade ou melhora da conta corrente".

 

Texto ampliado às 15h52

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.