Mantega descarta alterar metodologia do IPCA

De acordo com ministro, se alimentos e bebidas não fossem considerados, inflação seria menor  

Ricardo Leopoldo e Francisco Carlos de Assis, da Agência Estado,

28 de abril de 2014 | 12h27

SÃO PAULO - O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou nesta segunda-feira, 28, que, não fossem considerados os aumentos do setor de alimentos e bebidas, a inflação "seria menor". Ele, contudo, deixou claro que não estava fazendo uma defesa da adoção de núcleos para o IPCA, o que ele enfatizou ser totalmente contrário.

Ele citou que a possibilidade de eventuais mudanças metodológicas sobre a colheita de dados para o índice era uma questão para os órgãos federais competentes, no caso o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

"Não há intenção de mudar regras do IPCA" disse. "Inflação continuará cheia até quando os institutos avaliarem que deve seguir assim."

O IBGE enfrenta atualmente uma crise de gestão. Funcionários têm ameaçado entrar em greve sob acusação de falta de autonomia.

Na semana passada, o jornal O Globo mostrou reportagem que apontava que fontes do governo cogitavam a adoção de núcleo de inflação. Mas no dia em que a matéria foi divulgada, Mantega negou que isso era uma política de governo, o que foi ressaltado novamente hoje em público.

O ministro da Fazenda destacou que a alta de preços de alimentos no começo do ano foi temporária, motivada em grande parte pela seca em várias regiões do País, e que deve começar a ceder no curtíssimo prazo. "O IPCA-15 de abril foi menor do que o IPCA cheio de março", ressaltou, destacando que a inflação perderá vigor maior em maio e junho.

Crescimento. Mantega também disse que sua estimativa para a expansão do PIB para este ano está "entre 2,3% e 2,5%".

Segundo ele, não se trata de uma revisão, mas sim de uma previsão, que não é precisa. "A gente vai revendo esse número na medida que temos resultados concretos. É entre 2,3% e 2,5%", apontou.

"Na LDO, nos instrumentos oficiais, não podemos mudar (a projeção) toda hora. Lá está em 2,5%. Então, é algo (ao redor)", disse, após proferir palestra promovido pela revista Brasileiros.

Mantega também destacou que o governo está negociando com o Poder Executivo da Argentina a retirada de barreiras para as vendas de carros produzidos no Brasil para o país vizinho. "Estamos negociando com a Argentina a liberação de entraves para as exportações de automóveis", ponderou.

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