Mantega descarta mudanças no IOF

Distorções no câmbio nas últimas semanas já estariam corrigidas, sem a necessidade de ações adicionais

Eduardo Rodrigues e Renata Veríssimo, da Agência Estado,

27 de setembro de 2011 | 11h12

BRASÍLIA - O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que o governo brasileiro não está planejando nenhuma medida em relação ao IOF. "As medidas prudenciais já foram tomadas. Por isso, não vamos mudar nada no IOF (sobre derivativos cambiais)", completou.

Segundo Mantega, as distorções na taxa de câmbio, que ocorreram nas últimas semanas, já estariam corrigidas, sem a necessidade de ações adicionais por parte do governo, no momento.  

A medida está em vigor desde 27 de julho, mas o recolhimento do tributo foi adiado duas vezes, primeiro para outubro e depois para dezembro, devido a dificuldades operacionais da Bovespa. Enquanto isso, o BC seguirá atuando no mercado com a venda de dólares, se for necessário.

A valorização do dólar nos últimos dias atenderia ao objetivo do governo, de impedir o fortalecimento do real. Ou seja, a cobrança do imposto agora seria "inócua", uma vez que a moeda americana voltou a patamar mais confortável para as exportações de manufaturados. O problema, neste caso, é a volatilidade dos mercados, que ora reagem à crise europeia e ora culpam a regulação brasileira. Não se descarta que o dólar volte a cair em breve.

Grécia

Mantega também disse que não vê possibilidade de calote da Grécia nesta semana. Ele afirmou que pôde constatar, durante a reunião do G-20, na semana passada, que a Grécia tem cumprido todas as obrigações com o fundo europeu e o Fundo Monetário Internacional (FMI).

Ele avaliou que o caminho a seguir para tentar conter os efeitos nocivos da crise das dívidas nos países europeus é a aprovação, o quanto antes, do novo fundo financeiro do continente para ajudar as economias em maior dificuldade. "A exemplo do que o Fed fez nos EUA, esse fundo tem de ser aprovado logo para que a situação fique sob controle. Mas, mesmo assim, a crise vai continuar", afirmou o ministro.

O ministro explicou que a alternativa do fundo europeu servirá para evitar uma "agudização" da crise, mas não evitará uma recessão nas economias norte-americanas e europeias. Para o ministro, "o Brasil está preparado para enfrentar essa situação difícil".

(Com João Domingos e Iuri Dantas, de O Estado de S.Paulo)

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