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Mantega descarta mudar IOF agora para conter câmbio

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, descartou nesta terça-feira que o governo brasileiro esteja prestes a adotar um aumento da alíquota de IOF para tentar coibir a valorização do real, no mesmo dia em que o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, defendeu que o G20 discuta os movimentos cambiais globais.

REUTERS

28 de setembro de 2010 | 19h44

"Não está prevista nenhuma alteração (de IOF) neste momento. Depois das eleições não sei", disse Mantega a jornalistas, quando questionado sobre o tema.

"Não há nada definido, é claro que todas as possibilidades ficam em aberto, mesmo porque eu tenho falado, mas isso se o câmbio se comportar de forma inadequada."

Mantega voltou a citar que a capitalização da Petrobras impunha algum risco "porque envolvia um aporte de capital externo". "Mas ela já está sendo digerida, principalmente com compras do Banco Central no mercado à vista", acrescentou.

"Não descarto nenhum mecanismo, mas não há iminência de nenhum mecanismo neste momento."

Questionado sobre qual tipo de investimento seria alvo de mais IOF, caso a medida seja adotada, Mantega disse que o governo monitora todos os mercados. "A gente aumenta onde estiver pegando, onde estiver dando o problema. A gente observa todos os mercados."

Na véspera, o ministro afirmou que o mundo vive uma "guerra cambial", em que países como o Japão atuam no mercado para evitar a valorização de suas moedas e, com isso, ganhar competitividade no comércio internacional.

Em Londres para encontro com investidores, Meirelles, afirmou nesta terça-feira que impor mais impostos sobre o ingresso de capitais para conter a valorização do real continua sendo uma "possibilidade em aberto" e que o Brasil quer que os líderes do G20 discutam os desequilíbrios cambiais globais durante a cúpula de novembro.

FMI

O diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, também se manifestou nesta terça-feira sobre o mercado de câmbio. Ele disse que não vê riscos de uma guerra cambial, à medida que países intervêm para enfraquecer suas moedas, mas reconheceu que isso é uma preocupação.

Falando a jornalistas antes dos encontros do FMI e do Banco Mundial em Washington na próxima semana, Strauss-Kahn afirmou que os esforços das nações para desvalorizar suas moedas serão discutidos na reunião de 8 e 9 de outubro e na cúpula do G20 na Coreia do Sul.

"Tem havido uma crescente preocupação nos últimos dias sobre essa questão", disse. "Não sinto hoje que há grande risco de uma guerra cambial, apesar do que tem sido escrito."

Os comentários foram feitos em meio a um movimento de mais governos para impedir que suas moedas se apreciem. Em 15 de setembro, por exemplo, o Japão interveio no mercado de câmbio pela primeira vez em seis anos, a fim de evitar que a alta do iene piore a já fraca recuperação econômica.

(Reportagem de Isabel Versiani em Brasília, Lesley Wroughton em Washington, Carolyn Cohn e Sebastian Tong em Londres)

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