Mantega: desonerações somaram R$ 100 bi em 5 anos

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, informou hoje que, nos últimos cinco anos, as desonerações tributárias promovidas pelo governo somaram R$ 100 bilhões. Segundo ele, só em 2009 as reduções de tributos devem somar R$ 25 bilhões. Mantega afirmou que os investimentos foram os principais beneficiários.

FABIO GRANER, Agencia Estado

17 de novembro de 2009 | 13h50

Ele disse que o governo tem consciência da necessidade de dar mais competitividade à indústria nacional, mas disse que não dá para se resolver os problemas da noite para o dia. Segundo ele, a crise reduziu o espaço fiscal do governo. Apesar disso, Mantega, afirmou que o governo não vai deixar que a indústria brasileira seja vencida pela competição desleal. O comentário foi uma referência a países que, de acordo com o ministro, manipulam a taxa de câmbio, como a China. Mantega lembrou que o câmbio brasileiro está cerca de 50% valorizado em relação à moeda chinesa e ao dólar.

"Temos uma desvantagem cambial", disse Mantega, que citou um estudo do Banco Goldman Sachs segundo o qual a taxa de câmbio de equilíbrio no Brasil seria de R$ 2,60. "Se tivéssemos isso, venceríamos a todos", afirmou o ministro, ressaltando que o governo não pretende mudar o regime de câmbio flutuante, mas que vai continuar buscando aumentar a competitividade da indústria nacional. "O Brasil vai vencer e não será atacado pela doença holandesa", afirmou.

Poupança

O economista Samuel Pessôa, do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da Fundação Getúlio Vargas (FGV), afirmou que a China não pode ser acusada de ter um câmbio artificial. Segundo ele, o regime de câmbio fixo não significa que, no longo prazo, a taxa seja manipulada. Na avaliação do economista, o nível médio do câmbio chinês é fruto daquelas sociedades que têm uma alta taxa de poupança, ao contrário do que ocorre no Brasil.

"Eles podem ter o câmbio fixo porque poupam 50% do PIB (Produto Interno Bruto). O câmbio chinês está ancorado na alta poupança do país", afirmou Pessôa. Ele também criticou o fato de que, no Brasil, nos últimos anos o crescimento do investimento ocorreu sem que a poupança avançasse no mesmo ritmo.

O ministro Mantega rebateu a crítica sobre a falta de poupança no País dizendo que esse indicador vai crescer à medida que a renda da população aumentar. Ele disse ainda que o estímulo à demanda vai puxar o investimento e, depois, elevar a poupança interna. O ministro afirmou que, se não fosse a crise, o nível de investimento já teria superado 20% do PIB e a poupança teria continuado a crescer. Mantega e Pessôa participaram hoje do Encontro Nacional da Indústria, promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Tudo o que sabemos sobre:
desoneraçõesindústriaMantega

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.