Mantega destaca reforma do FMI com mais voz a emergentes

O recente ajuste do poder de voto noFundo Monetário Internacional (FMI), que dá um pouco mais devoz a países emergentes, vai melhorar a estatura do organismoentre seus membros, afirmou nesta sexta-feira o ministro daFazenda, Guido Mantega. "Com essa modificação, os países emergentes e emdesenvolvimento ganharão peso maior no Fundo", disse Mantega ajornalistas durante a reunião de primavera do FMI, enfatizandoque se trata de um "passo importante". O ministrou destacou que são os países emergentes que estãosustentando a economia global neste momento, já que as naçõesricas estão sofrendo mais as consequências da crise dehipotecas de alto risco dos Estados Unidos (subprime). A reforma nas cotas foi aprovada pelo conselho do FMI edeve ser votada até o final do mês. A mudança garante umatransferência de pode de voto de países industrializados paraemergentes e em desenvolvimento de 2,7 pontos percentuais. "O Brasil foi um dos beneficiados com o aumento de 40 porcento na cota efetiva. O poder de voto do país passa dos atuais1,4 por cento para 1,7 por cento", lembrou o ministro em nota. Países emergentes como Brasil, China e Índia também forambeneficiados pela adoção de uma nova fórmula que, entre outrascoisas, aumenta o peso dado ao PIB na hora de definir as cotaspara 50 por cento. "Hoje são os países emergentes que estãodando sustentabilidade à economia mundial", insistiu. MAIS EFICIÊNCIA Mantega indicou que a reforma, que será revista a cadacinco anos, precisa ir adiante para "consolidar e restabelecer"a confiança do FMI, de modo que possa responder de forma maisimediata em momentos de instabilidade financeira. Ele ponderou que esta ainda não é a reforma dos "sonhos"dos países emergentes. Segundo o ministro, o Fundo esteve muito preocupado com suareestruturação internacional e com os problemas definanciamento que ficou "atrasado" em relação à criseinternacional. "É importante consolidar esse passo de forma a restabelecera confiança no Fundo", para que ele esteja habilitado a fazerum trabalho mais "efetivo" num momento de crise internacional. Para Mantega, é necessária mais regulação para monitorar osinstrumentos financeiros de modo a ter mais transparência eavaliação de risco, e essas mudanças não podem ser tomadasapenas pelos Estados Unidos. Elas não devem, entretanto,sufocar o crédito. "O Fundo podera dar uma contribuição importante no sentidode criar essa regulamentação." O Brasil foi um dos principais críticos da estrutura do FMInos últimos anos. O ministro disse ainda que o FMI está certo em recomendarpolíticas anticíclicas para lidar com as turbulências. "O FundoMonetário ressuscitou Lord (John Keynes", disse. O Brasil também busca ser um protagonista no G7, o grupodos sete países mais industrializados e Rússia. "O Brasil serecusa a participar desse fórum só para tomar cafezinho."

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