Mantega destaca sete vantagens comparativas do Brasil

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou, durante apresentação na audiência da Câmara, que a atual crise é de trilhões de dólares e listou sete vantagens comparativas do Brasil neste momento de crise internacional, são elas: economia mais dinâmica do que a dos países avançados, grande potencial de crescimento do mercado interno, reservas elevadas, compulsório elevado, reservas de petróleo e gás, exportação diversificada com menor abertura comercial e regulamentação financeira.Segundo o ministro, o compulsório elevado, que antes era uma desvantagem e uma anomalia da economia brasileira, hoje se mostra uma vantagem neste momento de restrição da liquidez internacional. Outra vantagem, segundo o ministro, é o mercado interno brasileiro, que pode continuar crescendo e substituir uma eventual desaceleração do mercado externo devido à crise internacional. Ele também destacou que a menor abertura da economia brasileira, que antes se mostrava uma desvantagem, é hoje uma vantagem porque o Brasil é menos dependente das suas exportações, e destacou como exemplo a China. Segundo Mantega, o Brasil vai sofrer menos impacto do que a China, isso porque as exportações brasileiras representam 13% do Produto Interno Bruto (PIB), enquanto na China está entre 33% e 34% do PIB. Outra vantagem comparativa destacada por Mantega é a diversificação do mercado exportador. Antes a pauta brasileira de exportação era 25% para os EUA e 25% para a União Européia, hoje estes porcentuais caíram para 15% cada e, por outro lado, o Brasil está exportando mais para outros mercados, entre eles países emergentes, e dependendo menos das exportações para os países onde está o epicentro da crise. Para Guido Mantega, a regulamentação do mercado financeiro também é uma grande vantagem brasileira. Ele citou o caso dos fundos multimercados que têm uma marcação de preços diário, o que permite ao investidor brasileiro estar seguro e saber quanto valem os ativos investidos. Mantega ressaltou que nos países avançados, onde a regulamentação é menor, os prejuízos ficaram ocultos por meses até que fossem conhecidos. Ele disse também que as economias emergentes estão numa situação melhor e com fundamentos macroeconômicos mais sólidos do que as economias da Europa e dos EUA. Mantega destacou também que as economias emergentes têm instituições financeiras com menor alavancagem (dívida em relação ao patrimônio) do que a dos países avançados.Bancos públicosMantega afirmou que, para combater os efeitos da crise no Brasil, o governo está estimulando os bancos públicos a irem na contramão do mercado e aumentarem a oferta de crédito. Segundo ele, os bancos públicos estão sólidos e não devem ter receios de emprestar dentro dos critérios de mercado, ou seja, de ampliar os empréstimos sem perder de vista a questão da segurança.Em sua apresentação, Mantega listou as medidas adotadas até agora pelo governo para superar os problemas de liquidez tanto em dólar quanto em reais. Mas ele reconheceu que a crise terá impacto no nível de atividade do Brasil em 2009, levando a economia a crescer entre 4% e 4,5%. A previsão anterior da Fazenda para o PIB era de 4,5% em 2009. Para 2008, o ministro disse que a crise deve ter algum reflexo neste último trimestre, mas ele trabalha com crescimento em torno de 5% neste ano.Crise graveMantega afirmou que a crise financeira internacional já era séria desde meados de 2007, mas se tornou mais grave no dia 14 de setembro de 2008, quando se constatou que o banco Lehman Brothers não teria apoio do governo dos Estados Unidos para evitar o pedido de concordata. "Passamos de uma crise séria para uma crise muito mais séria, para uma crise grave. O crédito secou completamente e se tornou difícil para as empresas renegociarem os títulos vincendos."Ele afirmou não acreditar que a crise esteja em vias de acabar. "Acho que ela ainda vai se prolongar e ainda vai nos dar muita dor de cabeça", declarou. Para o ministro, a fase mais aguda já passou e, por isso, a crise deve se acomodar. Mantega observou que, de qualquer forma, cessando ou não essa fase aguda, o sistema financeiro continuará sofrendo uma desalavancagem, o que provoca uma falta de liquidez de crédito. Além disso, o ministro prevê que com o aumento das taxas de juros subirá o custo financeiro para todo o setor produtivo.InflaçãoMantega afirmou ainda que a inflação brasileira vai desacelerar ao longo de 2009, "caminhando próximo para o centro da meta (de 4,5%)". Segundo o ministro, o consumo interno continua robusto, citando os dados do segundo trimestre, que mostram uma expansão de consumo de 6,7%. "Gostaríamos até de desacelerar um pouco este consumo para que não haja inflação", disse.

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