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Mantega deve criticar apoio do FMI a políticas de estímulo de desenvolvidos

Em discurso que fará em Washington, ministro da Fazenda deve expressar também a disposição do Brasil em agir para conter o fluxo excessivo de entrada de capitais no País

Luciana Antonello Xavier, enviada especial,

20 de abril de 2012 | 13h40

O ministro da Fazenda brasileiro, Guido Mantega, deverá deixar claro em discurso amanhã, em Washington, sua insatisfação com o apoio do Fundo Monetário Internacional (FMI) às políticas ultra-acomodatícias das economias avançadas. Ele também deve expressar a disposição do Brasil em continuar a agir para conter o fluxo excessivo de entrada de capitais no País, por causa dessas políticas.

"O FMI tem endossado fortemente as políticas monetárias dos países avançados, incluindo medidas recentes tomadas pelo Banco Central Europeu (BCE). Tem sido mais relutante, no entanto, em apoiar medidas defensivas que algumas economias emergentes são forçadas a adotar em resposta aos efeitos dessas políticas", diz o texto, divulgado pelo FMI. O discurso será feito por Mantega na plenária do Comitê Monetário e Financeiro Internacional.

"O governo brasileiro continua comprometido em fazer o que julgar necessário para conter o fluxo excessivo e volátil de capital, por meio de intervenções no mercados futuro e spot de câmbio, medidas macroprudenciais e controles de capital", dirá o ministro em seu discurso.

Mantega também deve falar novamente sobre a necessidade de avanço na reforma do FMI, em especial mudanças nas cotas, que deem mais força aos emergentes dentro do Fundo. "Estamos profundamente preocupados com a lenta implementação das reformas de 2010 de cota e governança", afirma o texto. "O progresso nesse front tem sido limitado e lento".

O ministro lembra, no texto, que as cotas são o principal determinante do poder de voto no FMI e que a fórmula para cálculo das participações deve ser baseada essencialmente no Produto Interno Bruto (PIB) dos 188 países membros.

Mantega participa hoje de reunião com países do G-20, que ocorre durante os encontros de primavera promovidos pelo FMI e Banco Mundial. O ministro retorna no domingo ao Brasil.

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