Mantega diz a europeus que crise vai durar mais 3 anos

Os países emergentes, como Brasil, China, Índia e Rússia, terão de se adaptar para continuar crescendo porque a crise na Europa não terá solução em curto prazo. A avaliação foi feita pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, ontem, em Paris, onde se encontrou com uma plateia de dirigentes de 14 multinacionais francesas. Para o brasileiro, os países europeus estão "estagnados", as medidas para socorrer sua economia são "postergados para a eternidade" e não haverá solução em menos de dois ou três anos.

ANDREI NETTO, CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S.Paulo

20 de setembro de 2012 | 03h07

O diagnóstico foi feito no fim da manhã, em conversa com jornalistas após a palestra a portas fechadas que realizou na Embaixada do Brasil a diretores e presidentes de companhias como Carrefour, Casino, Dassault, Peugeot, BNP Paribas e Alstom. "Mostrei a eles por que o Brasil tem condições de continuar em sua trajetória de crescimento, apesar da situação econômica internacional", disse Mantega. "A crise vai continuar, principalmente na Europa, onde não há uma solução de curto prazo." Segundo o ministro, as medidas adotadas pela União Europeia para combater os efeitos da turbulência, como a criação do Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE), a nova supervisão do sistema financeiro ou ainda a compra de títulos das dívidas soberanas pelo Banco Central Europeu (BCE) "têm dificuldades de sair do papel". "Isso significa que países emergentes têm de se organizar para poder fazer face a essa situação", pregou.

Para Mantega, o Brasil já está crescendo a um ritmo mais acelerado. "Nossa economia está acelerando no segundo semestre. Temos vários indicadores mostrando isso e vamos terminar o ano crescendo 4%", disse, citando os programas de estímulo, como a desoneração das folhas de pagamento, a redução do custo de energia e a queda da taxa de juros. Além disso, afirmou, o País não enfrenta risco inflacionário.

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