Andre Dusek/AE
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Mantega diz não querer 'afugentar investidor'

Mas ministro diz que medidas cambiais de 'grosso calibre' ainda não foram usadas

Adriana Fernandes, Celia Froufe, Eduardo Rodrigues / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

26 de outubro de 2010 | 00h00

Preocupado com a repercussão negativa no exterior das medidas cambiais adotadas pelo Brasil, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou ontem que o governo não quer "afugentar" os investidores estrangeiros.

Segundo ele, as medidas visam atingir apenas o capital estrangeiro que entra no País para aplicações de curto prazo. Mas antecipou que as medidas cambiais de "grosso calibre" ainda não foram usadas. "Preferimos não interferir demais, mas precisamos ver o que outros países também vão fazer", justificou.

Depois de repercussão negativa no mercado financeiro da notícia publicada ontem pelo Estado de que o governo estuda acabar com a isenção do Imposto Renda (IR) para investimento estrangeiro em títulos públicos, o ministro negou qualquer mudança na tributação.

Segundo Mantega, poderia haver uma aceleração da entrada de capitais no Brasil nos últimos meses deste ano de investidores estrangeiros querendo fugir da tributação. É que uma mudança no IR que implique em aumento do tributo só pode entrar em vigor no ano seguinte da aprovação pelo Congresso.

Uma fonte da equipe econômica revelou que a medida está em estudo, mas a decisão é difícil, porque ela não pode ser adotada de "surpresa" como o duplo aumento da alíquota do Imposto sobre Operação Financeiras (IOF) para os investimentos estrangeiros em renda fixa.

"Essa é encruzilhada do governo", disse a fonte, ressaltando que o País pode precisar de medidas mais duras em 2011 se a guerra cambial se agravar, mas que a decisão sobre o IR tem de ser tomada este ano. Segundo a fonte, a Fazenda recebeu relatórios vindos do exterior que apontam os investidores estrangeiros "assustados" com as duras medidas implementadas pelo País como reação à guerra cambial.

Mantega disse ainda que, antes de optar por novas medidas, é preciso verificar o resultado das mudanças já anunciadas e acompanhar a atuação de outros países. "Podemos até retroceder em algumas", cogitou.

A entrevista concedida no meio da tarde, ainda com o mercado aberto, provocou uma mudança rápida no dólar, que da cotação máxima caiu para a mínima. O argumento dos operadores foi justamente o fato de que o ministro não anunciou nenhuma medida. A reação do mercado sinalizou que é frágil a alta do dólar para o patamar de R$ 1,70.

FMI. O ministro também falou do Fundo Monetário Internacional (FMI), que neste final de semana passou por uma reforma. Com isso, o Brasil e os outros países emergentes ampliaram o status na instituição e ganharam maior protagonismo para as próximas decisões do órgão. Para o ministro, a influência do Brasil nas decisões do FMI já é, até mesmo, maior do que a participação do País nas cotas do fundo. A fatia brasileira equivalia a 1,38% até 2008, passou a ser 1,78% na ocasião e agora atingiu 2,32% do total. Com isso, o Brasil passou da 18ª posição para a 10ª colocação em dois anos.

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