Mantega diz que Brasil não pode ter medo de crescer

O ministro do Planejamento, Guido Mantega, comemorou hoje o crescimento "equilibrado, vigoroso e virtuoso" do PIB, alertou que o Brasil "não pode ter medo do crescimento econômico" e criticou o Banco Central por acenar com uma possível alta dos juros. "Não há inflação de demanda hoje", afirmou, contrariando a última ata do Comitê de Política Monetária do Banco Central, que alerta para os riscos do crescimento mais acelerado da economia na inflação.Segundo o ministro, o crescimento acontece com saldos comerciais, que abrem espaço para uma maior importação se houver problemas de oferta no mercado interno. Ele disse que o desempenho da balança comercial funciona como uma válvula para equilibrar a demanda e a oferta. Ele destacou como outra válvula o crescimento do setor de bens de capital, que garante capacidade produtiva e impede que haja problemas de oferta.Ele previu que o crescimento da economia este ano deverá ser superior aos 3,8% previstos na proposta de Orçamento de 2005, encaminhada hoje ao Congresso Nacional, mas pediu prudência nas avaliações. Ao ser questionado sobre a previsão do ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan, de que a economia pode crescer mais de 5% este ano, Mantega foi cauteloso: "É melhor não partir para o triunfalismo de 6%, 7%, porque é perigoso, e ficarmos nos 4,5%", disse. Se o crescimento for maior que o previsto no Orçamento, afirmou, o governo vai festejar e depois fazer as modificações necessárias na peça orçamentária de 2005. "Temos tempo até o final do ano", afirmou. Receita, impostos e investimentoO ministro do Planejamento disse que o aumento das receitas previstas no Orçamento para 2005 ocorrerá sem a elevação da carga tributária. Ele garantiu que o aumento dos recursos se dará graças à expansão da economia. "É o crescimento do PIB que ajudará a elevação das receitas da União", afirmou. "Vamos gastar menos e arrecadar mais. Não tem aumento de carga", assegurou Mantega, acentuando que o aumento da arrecadação previdenciária ocorrerá sem mudança de alíquotas. "É do jeito que está. Este aumento se dará com a intensificação da fiscalização e com mudanças internas na Previdência".Guido Mantega informou que o governo estima investir R$ 15,8 bilhões em 2005. Parte desse montante (R$ 11,4 bilhões) já está prevista na proposta do Orçamento Geral da União encaminhada hoje ao Congresso. Outros recursos virão da reserva de contingência, incluída na proposta, que poderão ser usados para atender emendas de parlamentares, num total de até R$ 2,5 bilhões. A parte restante poderá ser investida em projetos extraordinários. É nesses projetos que está o trunfo do governo para aumentar os investimentos em infra-estrutura.Para isso, o governo negocia com o FMI a retirada das despesas com esses investimentos do cálculo do superávit primário. Mantega admitiu que não deverá haver um anúncio formal dos projetos, durante a visita do diretor-gerente do FMI, Rodrigo Rato, nesta sexta-feira, ao Brasil.

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