Mantega diz que cenário para inflação é ‘mais benigno do que em 2010’

O panorama inflacionário do Brasil é "mais benigno" em 2011 em relação ao ano anterior, avaliou hoje o ministro da Fazenda, Guido Mantega, em entrevista à Dow Jones e ao Wall Street Journal.

20 de setembro de 2011 | 16h56

O índice de preço ao consumidor avançou em ritmo mais acelerado que o esperado até a metade de setembro, com o IPCA-15 subindo 7,33% nos últimos 12 meses, segundo dados divulgados hoje. O indicador manteve-se acima do teto da meta de inflação brasileira, que é de 4,5%, com margem de dois pontos porcentuais para mais ou para menos.

Na entrevista, Mantega atribuiu a marcha mais acelerada da inflação à elevação do preço dos alimentos, em grande parte por conta de efeitos sazonais sobre a safra, mas a expectativa é de que a inflação retorne ao centro da meta do Banco Central em 2012. A pressão inflacionária tem sido vista por analistas como o maior risco para a economia interna do Brasil.

Mantega destacou que, entre os Brics (grupo de potências emergentes integrado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), o Brasil é o único com taxa de juro real positiva.

No mês passado, o BC promoveu um inesperado corte da taxa Selic de 12,5% para 12%, em parte para conter a demanda pelo real. Os setores manufatureiro e de exportação do País têm sido afetados pelo constante fortalecimento do real em relação ao dólar, o que levou as autoridades monetárias brasileiras a adotarem uma série de medidas para conter a apreciação.

"O Brasil adotou medidas defensivas de política cambial porque foi forçado a fazê-lo", em especial por conta de ações de política monetária expansivas e intervenções no câmbio adotadas por outros países, argumentou Mantega na entrevista.

O ministro afirmou ainda que o Brasil não seguirá os passos de países como a Suíça, que recentemente estabeleceu um nível específico para a apreciação do franco, mas comentou que medidas assim podem parecer sedutoras à primeira vista. "Eu rezo todas as noites para não cair nessa tentação", brincou Mantega durante a entrevista. Ele salientou então que o Brasil está comprometido com a livre flutuação do real e observou que experiências de controle da taxa de câmbio realizadas no passado "não foram positivas".

Na opinião de Mantega, "o cenário ideal seria ter, por exemplo, países como a China adotando políticas de câmbio flutuante e outras economias asiáticas também assumindo políticas cambiais flexíveis".

Meta de superávit primário

O ministro reiterou ainda o compromisso do governo de atingir a meta de superávit primário deste ano, fixada em 3,3% do Produto Interno Bruto (PIB).

"Pode parecer que vamos poupar menos. Não. Eu posso garantir - sou responsável por isso - que no final do ano teremos um superávit primário de 3,3% e no ano seguinte vamos manter a mesma trajetória", disse Mantega. "Vamos perseguir uma política fiscal sólida neste ano e nos próximos no Brasil", acrescentou.

Num relatório divulgado ontem, o Ministério do Planejamento revelou que o governo aumentou a previsão de gastos nesse ano em cerca de R$ 11 bilhões, apesar de no início do ano ter anunciado que pretendia cortar as despesas em US$ 50 bilhões para tentar conter a inflação. "O que aconteceu foi um tipo de ajuste nos gastos. Alguns gastos foram subestimados. Se eu não estiver enganado, gastamos mais com benefícios a desempregados", afirmou.

"Não há mudança de trajetória. Nossa trajetória tem como objetivo um bom ajuste fiscal, uma consolidação para conter o crescimento dos gastos e aumentar o superávit primário. Quero dizer que o compromisso de elevar o superávit primário - que estava em 3% e agora está em 3,3% - será cumprido". As informações são da Dow Jones.

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