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Mantega diz que crise pode acelerar grau de investimento

Segundo ministro, passada a turbulência, os capitais vão procurar fazer investimentos mais seguros nos países sólidos

Adriana Fernandes, Agencia Estado e Reuters

10 de agosto de 2007 | 11h34

As turbulências nos mercados financeiros globais poderão antecipar a concessão do grau de investimento por agências de classificação para o Brasil porque os investidores tenderão a ficar mais seletivos e priorizar economias que apresentem menor risco. A avaliação é do ministro da Fazenda, Guido Mantega, que também frisou o fato de os bancos brasileiros estarem sólidos. Veja também:Entenda os efeitos da crise do setor imobiliário dos EUA Veja o fechamento dos mercados Entenda a queda das bolsas Tensão global afugenta estrangeiros e dólar sobe 1,7%Fed injeta US$19 bilhões na maior operação em 4 anosBC injeta 61 bi de euros para conter queda no mercado europeuBolsas asiáticas acompanham crise dos EUA e fecham em queda  "Não vejo nenhum banco brasileiro envolvido na questão dos 'hedge funds', pelo contrário, o sistema financeiro brasileiro está bastante sólido, conforme vocês podem verificar com os lucros que estão sendo anunciados. Então aqui só afeta um pouco renda variável, de fluxo de capitais", afirmou Mantega a jornalistas.O ministro destacou que o País está sendo beneficiado por uma entrada recorde de capitais externos este ano. "Então se diminuir um pouco o fluxo, se sair um pouco de recursos não altera nada, não tem nenhuma dificuldade maior", afirmou. Sua aposta, pelo contrário, é que a turbulência poderá ter o efeito muito positivo para o País.Segundo ele, passada a turbulência, os capitais vão procurar fazer investimentos mais seguros nos países sólidos. "Certamente hoje o Brasil está entre eles", afirmou Mantega a jornalistas ao chegar ao ministério. Ele avalia que este cenário pode fazer com que investment grade (investimentos sem risco de crédito) chegue mais rapidamente. Nada de criseMantega avaliou, ainda, que por enquanto não é possível falar em crise, na medida em que as tensões dos mercados ainda não atingiram a economia real. Ele voltou a frisar que as turbulências não afetarão a política monetária brasileira, que é pautada pelo comportamento da inflação. "Como a inflação está abaixo do centro da meta não há nenhuma razão para mudança de política monetária." Ele acrescentou que para se corroborar uma crise seria necessário afetar o nível de comércio internacional. O ministro também comparou a momento atual com os acontecimentos de maio do ano passado, quando o nervosismo do mercado durou duas semanas e depois se amainou. Crédito O ministro afirmou, além disso, que as turbulências nos mercados mundiais não devem provocar uma redução da oferta de crédito no Brasil, porque, segundo ele, o grosso do crédito brasileiro - "quase 100%" - é gerado aqui dentro do País. "O crédito brasileiro é da política monetária local, não é crédito estrangeiro. Ele vai continuar crescendo", disse. Na avaliação dele, a expectativa é de que o volume de crédito cresça entre 20% e 22%. O ministro admitiu, no entanto, que há um pouco de crédito externo, pois algumas empresas brasileiras têm captado recursos lá fora porque estavam muito baratos. "O crédito vai continuar estimulando o crescimento da economia. Já tem analista falando em crescimento acima de 5%", disse Mantega, destacando que ele próprio é mais moderado e prefere falar em crescimento de 4,5% a 5%.  

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