Mantega diz que desaceleração de 2011 é necessária

Na avaliação do ministro da Fazenda, o País cresceu muito em 2010; para 2012, a expectativa é de uma expansão do PIB de 4,5% a 5%

Célia Froufe e Renata Veríssimo, da Agência Estado,

23 de novembro de 2011 | 15h34

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, argumentou há pouco que a desaceleração da atividade brasileira neste ano é necessária porque houve um crescimento muito forte do País no ano passado. "Tivemos problemas com a inflação, mas agora a inflação está sob controle, a Selic está menor e o crédito mais barato", enumerou, depois de participar de audiência pública na Câmara dos Deputados.

Ele disse prever que a economia brasileira voltará a registrar crescimento nesses dois últimos meses do ano e que, em 2012, a expectativa é de uma expansão do PIB de 4,5% a 5%. Mantega salientou que o Brasil está bem preparado para receber possíveis reflexos da crise internacional, mas que o País não é totalmente imune. "A crise nos atinge, sim, mas menos do que a outros países", comparou.

O ministro disse também que o governo está empenhado em reduzir o custo financeiro do País. "O governo fará o que for necessário, pois este custo é alto no Brasil", afirmou. Segundo ele, há também intenção de baratear o crédito para o consumidor e para os investimentos.

Crédito

Mantega acrescentou que daqui para frente, a oferta de crédito no Brasil também não poderá crescer como no passado, para não recair em risco de elevado endividamento. "Temos de calibrar, para que a população não se endivide", disse ele durante audiência pública na Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara. "O crédito cresceu, mas não chega a ser um problema. Não temos risco de bolha em nenhum setor".

Segundo o ministro, a dívida das famílias também aumentou nos últimos anos. "Na verdade, subiu porque não tinha crédito no passado e tínhamos de corrigir isso tudo", explicou. Mantega ressaltou que o governo tomou cuidado para que o País não sofresse como a Espanha. "Vou parar de falar, a situação já está suficientemente complicada na Espanha para eu dar opinião", disse, acrescentando que, no caso brasileiro, não há subprime. "Nós cuidamos dessa bolha. Agora abriu-se a possibilidade de crédito, mas a população tem emprego".

Mantega disse também que é preciso levar os juros brasileiros ao mesmo patamar das taxas internacionais. "Metade dos juros hoje é por conta do custo das reservas brasileiras."

INSS

O ministro afirmou ainda que o momento não permite dar aumentos reais para os aposentados e pensionistas que ganham acima de um salário mínimo. "Quero dizer que neste último período nunca houve tanto aumento real", disse. Segundo Mantega, o salário mínimo teve aumentos extraordinários, além dos reajustes reais para os beneficiários do INSS que ganham acima disso. 

"É importante saber que os aposentados são importantes para nós, mas temos que ter precauções para saber quando se pode fazer as bondades ou não", afirmou o ministro, em audiência na Câmara dos Deputados.

Ele destacou ainda que o salário mínimo será reajustado em mais de 14% em janeiro, o que é muito alto. Mantega disse que dois terços dos aposentados serão beneficiados por este reajuste. "Acho que não é o momento de ter novo aumento real (para quem ganha acima do mínimo). O momento é difícil, temos que ter cautela com nossos gastos", afirmou.

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