Mantega diz que está comprando imóvel e estimula consumo

Em entrevista coletiva, ministro da Fazenda revela que está adquirindo imóvel em 'oito ou dez parcelas'

Célia Froufe e Anne Warth, da Agência Estado,

27 de outubro de 2008 | 15h46

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, parece estar seguindo à risca a instrução que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu à população de não se deixar afetar pelo temor da crise financeira e continuar a consumir para manter a economia doméstica aquecida. "Quero dizer que estou comprando um imóvel. Não costumo dizer isso, mas estou comprando um imóvel", declarou nesta segunda-feira, 27, durante entrevista coletiva à imprensa, na capital paulista, quando questionado sobre se compraria um automóvel em 60 prestações ou um imóvel em 15 anos. Veja também:Mantega nega ajuda a empresas com problemas com câmbioLições de 29A crise de 29 na memória de José MindlinVeja o que muda com a Medida Provisória 443Veja as semelhanças entre a MP 443 e o pacote britânico Consultor responde a dúvidas sobre crise   Como o mundo reage à crise  Entenda a disparada do dólar e seus efeitosEspecialistas dão dicas de como agir no meio da crise A cronologia da crise financeira  Dicionário da crise  O ministro não revelou a localização do imóvel nem o valor, mas relatou que negociou o pagamento diretamente com o proprietário. Questionado a respeito do número de prestações a serem pagas para a aquisição do imóvel, Mantega respondeu ao jornalista: "Aí você quer saber a intimidade da minha vida", brincou, revelando, em seguida, que o pagamento será em "oito ou dez parcelas". O ministro recomendou que atitudes como essa fossem seguidas pela população. "Devemos procurar ter uma vida normal", afirmou. "Sabe por quê? Se todo o mundo fica com medo, aí é que você vai criar um problema econômico", disse, acrescentando que as decisões de deixar de comprar um carro ou de consumir de forma geral acabam por reduzir o nível da atividade econômica. Ele salientou, porém, que, no caso dos empresários, a situação é levemente diferente porque eles necessitam de capital de giro. "Mas o governo está se empenhando em recompor, o mais rapidamente possível, o capital de giro, os recursos necessários para dar prosseguimento econômico", apressou-se em explicar. O raciocínio do governo é o de que, ao estimular a economia doméstica, os riscos de uma contaminação externa da crise financeira tornam-se menores porque o País poderia, assim, manter seu crescimento com base em sua própria atividade. Desde o início da turbulência externa, os principais representantes do governo vêm a público para transmitir confiança à população, já que este seria um dos principais papéis de líderes em momentos como este. A postura, no entanto, vem gerando críticas por parte de alguns políticos, principalmente da oposição.

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