Mantega diz que governo continuará a agir para evitar valorização do real

No encontro com empresários, que reclamaram do câmbio, ministro prometeu manter política de intervenção no mercado de dólares

CÉLIA FROUFE , RENATA VERÍSSIMO / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

23 de março de 2012 | 03h05

A queda da inflação permite que o governo seja mais proativo nos estímulos à economia, disse ontem o ministro da Fazenda, Guido Mantega, após participar da reunião da presidente Dilma Rousseff com 28 dos principais empresários do País. Ele fez a afirmação ao comentar a prévia do IPCA do mês, que ficou em 0,25%, abaixo do esperado pelos analistas do mercado financeiro, que calculavam até 0,42%.

O câmbio foi apontado pelos empresários como um desafio importante, pois há uma política de desvalorização cambial em vários países, o que coloca os produtos brasileiros em situação de inferioridade, segundo o ministro. Mantega disse que o real não pode se valorizar, caso contrário a mercadoria brasileira fica mais cara. "O governo tranquilizou os empresários. Vamos continuar a fazer políticas de intervenção no câmbio que não permitam que o real se valorize. Isso é um compromisso do governo", garantiu.

Para Mantega, o Brasil é um dos países que mais fazem essa política sem atrapalhar os investimentos. "Temos uma política que tem dado resultados. Desde o segundo semestre do ano passado, o câmbio está em situação mais favorável. Posso afirmar que vai continuar assim."

O ministro reconheceu ainda que o custo da energia elétrica é elevado, como observaram alguns participantes. Ele enfatizou que o problema é complicado, pois passa pela questão tributária. "Principalmente na esfera estadual, temos de achar uma equação e, com o vencimento dos novos contratos, reduzir as tarifas", salientou.

Em entrevista após o encontro, Mantega avaliou que os empresários mostraram entusiasmo para continuar investindo no País. Segundo ele, o governo, elegeu os investimentos como um das molas de crescimento até 2014. "O setor público vai aumentar os investimentos e o setor privado também se comprometeu." Na opinião de Mantega, o investimento é prioritário para deslanchar a economia. Ele contou que os empresários também pediram uma carga tributária menor. "Temos trabalhado para reduzir a carga", acrescentou.

Questionado sobre se o governo pretende estender a desoneração de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para produtos da linha branca, que se encerra no fim deste mês, Mantega desconversou. "Não foi discutida essa questão."

Agenda positiva. A reunião de três horas e meia com os empresários foi, também, uma tentativa de criar uma agenda positiva, num momento em que o governo enfrenta uma rebelião em sua base aliada no Congresso. O empresariado vinha se ressentindo da falta de diálogo, e ontem teve oportunidade de falar.

Para o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, o dólar a R$ 1,80 gera distorção na economia. "É a mesma taxa de 2000. Mas, nos últimos 12 anos, tivemos uma inflação de 112%." Para compensar o desequilíbrio, o presidente da Fiesp propõe aumentar a alíquota do Reintegra. Hoje, o programa devolve o equivalente a 3% das exportações. O ideal, segundo ele, seria 10%.

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